Rio de Janeiro

Justiça condena a 15 anos de prisão quatro acusados de estupro coletivo de adolescente em Copacabana

Eles também foram condenados a pagar uma indenização, por danos morais, de 40 salários mínimos à vítima

Justiça condena a 15 anos de prisão quatro acusados de estupro coletivo de adolescente em Copacabana
Homens condenados pelo estupro coletivo de adolescente em Copacabana Crédito: Reprodução

A Justiça do Rio condenou, na noite desta terça-feira, a 15 anos de prisão, em regime fechado, os quatro homens que participaram do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio. O crime aconteceu em janeiro deste ano.

Eles também foram condenados a pagar uma indenização, por danos morais, de 40 salários mínimos à vítima, aproximadamente R$ 64,8 mil. Os quatro foram absolvidos da acusação de cárcere privado. As informações foram divulgadas inicialmente pela 'GloboNews' e confirmadas pelo Correio da Manhã.

Na época do crime, Bruno Felipe dos Santos Allegretti e João Gabriel Xavier Bertho, de 18 anos; e Mattheus Verissimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 19, cometeram o crime em um apartamento no bairro da Zona Sul.

No seu relato à Justiça, a adolescente disse que foi ao imóvel a convite de um adolescente. Ela já tinha ficado com o jovem e concordou em manter relações sexuais com ele naquele dia.

Segundo a vítima, outros quatro homens entraram no quarto e começaram a violentá-la. Ela disse que levou socos, tapas, puxões de cabelo e contenção física, e que foi impedida de deixar o local. A sentença descreve que ela disse repetidamente que não queria manter relações com os demais homens e pediu que eles parassem.

"A vítima, como demonstrado, dizia a todo momento que não queria e, depois, pedia que parassem, implorava para descansar porque não conseguia respirar, tentava se afastar e era contida, anunciava que iria embora e era impedida de sair", disse o juiz.

A vítima fez exames no Instituto Médico Legal (IML), que confirmaram as lesões compatíveis com agressão sexual. A defesa dos acusados sustentava a tese de que a relação foi consentida, mas o juiz negou essa hipótese.

Em abril deste ano, o menor que atraiu a vítima para o apartamento foi internado por seis meses em uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), após determinação da Justiça da Infância e Juventude.

Advogado de condenado critica 'vazamento' de informações

Ângelo Máximo, advogado de Vitor Hugo Oliveira Simonin, criticou o vazamento da sentença que, segundo ele, nem a defesa recebeu por meios oficiais.  

"Absurda esta nova ocorrência de vazamento de informações de processo que tramita sob segredo de justiça (...)", diz a nota. 

"Uma situação dessa natureza não apenas compromete a credibilidade da Justiça, como também enfraquece a autoridade da própria ordem judicial, que, em tese, deixa de receber o devido valor e respeito".

Em relação à condenação, a defesa alega que não irá "fazê-la neste momento, justamente porque o processo tramita sob segredo de justiça".

A defesa de João Gabriel Xavier Bertho também informou que vai recorrer da sentença. Em nota enviada por Juliana Baião, da assessoria do advogado Raphael De Piro, a defesa criticou a decisão e afirmou que ela teria sido tomada às pressas.

"A decisão judicial foi feita às pressas. Prova disso é que as penas são idênticas — um simples copia e cola. Decisões judiciais devem ser norteadas pela serenidade e não pelo sensacionalismo", declarou.

A reportagem tenta localizar a defesa dos outros acusados. O espaço está aberto para manifestação.