Rio de Janeiro

Operação combate milícia de Juninho Varão, que extorquia e ameaçava moradores de condomínio em Nova Iguaçu

Um PM da ativa também é alvo da ação da Polícia Civil, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar

Operação combate milícia de Juninho Varão, que extorquia e ameaçava moradores de condomínio em Nova Iguaçu
Milícia de Juninho Varão extorquia e ameaçava moradores de condomínio em Nova Iguaçu Crédito: Reprodução vídeo / Divulgação

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) realiza, na manhã desta quarta-feira (14), uma operação contra a milícia de Juninho Varão. Segundo a polícia, sua quadrilha pratica extorsão e faz ameaças aos moradores do condomínio Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Um PM da ativa também é alvo da ação da Polícia Civil, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

Os agentes cumprem dois mandados de prisão e 10 de busca e apreensão contra os envolvidos com a milícia que atua na região. Segundo a investigação, foram identificados nove integrantes da estrutura criminosa que praticava cobranças ilegais, ameaças e intimidações. A polícia diz que o grupo controlado por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, mantinha um esquema organizado de arrecadação ilegal, com divisão de tarefas, fiscalização dos pagamentos e prestação de contas à liderança da milícia.

Para garantir o pagamento das cobranças, os criminosos ameaçavam violentamente os moradores, inclusive com a expulsão de suas próprias casas. De acordo com a investigação, a quadrilha interferia diretamente na administração do condomínio, que estava totalmente controlado pelo crime.

"Identificamos uma estrutura administrativa que foi criada naquele condomínio, na qual síndicos foram colocados pela milícia, ou seja, síndicos regulares foram retirados e colocaram síndicos vinculados à milícia, que então eram responsáveis por realizar a cobrança em face desses moradores. E tudo isso sendo utilizado de modo coercitivo, de ameaça, ameaça também de retirada de residência", disse a delegada Luciana Fonseca da Draco-IE.

Um dos criminosos é Felipe Alves da Silva, o Felipinho ou Portugal, apontado como homem de confiança de Juninho Varão e responsável pelo comando operacional das cobranças. Além dele, os agentes buscam um dos principais executores das cobranças e intimidações contra moradores, identificado como Marcos Francisco Prazeres Júnior, o MJ.

O esquema criminoso cobrava valores mensais de R$ 70 por apartamento e a polícia acredita que a arrecadação girava em torno de R$ 85 a R$ 100 mil por mês.

PM da ativa era 'ponte' entre milícia e condomínio

Segundo a polícia, entre os alvos de busca e apreensão está um policial militar, Carlos Luis Torres Correia, o Carlão. Ele é investigado por suposta influência na administração do condomínio e na estrutura de intimidação do grupo.

De acordo com as apurações, ele mantinha contato direto com integrantes do núcleo de comando e interferia na gestão do complexo residencial. A quadrilha usava o temor dos moradores com sua condição de ser PM para pressionar o pagamento das cobranças ilegais.

"Ele era apontado como participante mesmo daquela administração, inclusive dos grupos de WhatsApp que eram utilizados por essa estrutura criminosa. Também participava das reuniões e era mencionado inclusive pelos síndicos a necessidade da participação dele com o fim de realmente coagir os moradores que se sentiam então obrigados", explicou a delegada.

Procurada, a Polícia Militar disse que atuou de forma integrada à Polícia Civil na operação de hoje. "A corporação permanece à disposição das autoridades responsáveis pela investigação e adotará todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis".

Expulsão e morte de morador

A morte de um morador do condomínio é investigada pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). No início do ano, ele foi expulso de sua residência no condomínio e, dias depois, foi encontrado morto no interior do Rio Guandu.

"Ao que tudo indica, segundo as investigações que correm pela DHBF, foi fruto da atuação desse grupo miliciano naquela localidade", falou Luciana Fonseca. 

Foram arrecadados computadores, celulares e anotações durante a ação. Também foi encontrado um porrete dentro de um carro, que é apurado se era usado como instrumento de coação aos moradores.

A operação busca atingir os núcleos operacional e financeiro da milícia, interromper a exploração econômica dos moradores e aprofundar as investigações.

A defesa dos procurados pela polícia não foram localizadas.