Uma operação da polícias Civil e Militar, em conjunto com o Ministério Público do Rio (MPRJ), mira um esquema de tráfico de armas e drogas do Comando Vermelho, que contava com a participação de PMs. A ação desta terça-feira (13) cumpre mandados de prisão. Três pessoas já foram presas, uma delas em flagrante.
A operação conta com agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), a Corregedoria da Polícia Militar e o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPRJ. Segundo as investigações, os policiais envolvidos com os criminosos identificaram a participação de agentes públicos que utilizavam a própria função para favorecer as atividades do grupo, inclusive por meio do repasse de informações privilegiadas e do envolvimento em negociações clandestinas de armamentos e munições. A operação tem como objetivo cumprir mandados de prisão em endereços em Del Castilho e na Penha, na Zona Norte do Rio; em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; e em Maricá, na Região Metropolitana. Até o momento, três pessoas foram presas, duas por cumprimento de mandados de prisão e uma em flagrante.
A investigação começou em outubro de 2023, quando agentes da DRE prenderam um policial militar e outro homem quando transportavam mais de 100 kg de cocaína na Avenida Brasil. A partir dessa ação, as equipes aprofundaram as diligências e identificaram uma estrutura que atuava de forma coordenada na aquisição, no transporte e na distribuição de grandes quantidades de drogas e armamentos destinados ao CV.
Com base na análise de dados e as interceptações telefônicas foi possível identificar a articulação entre integrantes do grupo e lideranças do tráfico. Um dos alvos atuava na logística de abastecimento de drogas, mantendo contato com integrantes da facção para viabilizar o transporte e a distribuição das cargas em áreas dominadas pelo CV. Outra liderança investigada, com atuação no Complexo da Penha, teria participado da articulação para a aquisição e a distribuição de drogas e armas, além de coordenar integrantes responsáveis pelo abastecimento da organização criminosa.
Também foram identificados indivíduos que forneceriam informações privilegiadas sobre operações policiais para beneficiar o grupo. Entre eles está um policial militar envolvido em um esquema de comércio ilegal de armas, munições e acessórios. Outros criminosos são apontados como integrantes do braço armado da facção, com funções relacionadas à segurança de lideranças do tráfico e à vigilância territorial.
PM que deu origem às investigações foi morto chegando em casa
Um dos principais alvos da investigação, o PM preso em flagrante na ocorrência que deu origem às investigações foi morto em julho deste ano, no Pechincha, na Zona Sudoeste do Rio. Ele foi atingido por vários tiros quando chegava ao condomínio onde morava. O assassinato é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Entre os presos de hoje está um homem apontado como integrante do braço armado da facção, que foi localizado em Maricá, na Região Metropolitana. Outro preso foi flagrado com uma pistola, um rádio comunicador e uma motocicleta roubada. Os agentes encontraram imagens dele se exibindo com armas de fogo nas redes sociais.
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