Golpe da Fé

Pastor é alvo de operação por suspeita de usar igreja para captar dinheiro e aplicar golpe milionário no Rio

De acordo a polícia, o pastor Roberto Vieira Soares teria usado a influência religiosa para atrair investidores, quais eram as promessas de rendimento e como a Polícia Civil descobriu a movimentação milionária.

Pastor é alvo de operação por suspeita de usar igreja para captar dinheiro e aplicar golpe milionário no Rio
Pastor é alvo de operação por suspeita de usar igreja para captar dinheiro e aplicar golpe milionário no Rio Crédito: Reprodução

O pastor Roberto Vieira Soares, líder da Igreja Apostólica Vida e Adoração, é alvo da Polícia Civil do Rio de Janeiro em uma investigação sobre um suposto esquema de fraude financeira, lavagem de dinheiro e captação irregular de recursos. Segundo os investigadores, o religioso teria usado a influência exercida sobre fiéis para atrair investidores para uma plataforma apresentada como banco digital.

A operação, batizada de Golpe de Fé, foi deflagrada nesta terça-feira (18) e cumpre medidas em endereços no Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias, além de São Paulo. A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada.

De acordo com a apuração policial, Soares estaria ligado à empresa Grupo América Latina, responsável pela plataforma Gal Invest Bank, conhecida entre as vítimas como "Banco do Pastor". A suspeita é de que a estrutura tenha sido utilizada para captar dinheiro com a promessa de rendimentos mensais de aproximadamente 10%. O prejuízo identificado até agora é estimado em R$ 1,11 milhão. A polícia contabilizou pelo menos sete registros de ocorrência relacionados ao suposto esquema.

De acordo com a investigação, as vítimas eram atraídas por meio da relação de confiança estabelecida com o pastor e por sua rede de influência. Os investidores entregavam recursos à plataforma sob a promessa de receber rendimentos mensais elevados.

Inicialmente, os pagamentos teriam sido realizados. Com o passar do tempo, porém, os rendimentos deixaram de ser depositados. Segundo os investigadores, diferentes justificativas eram apresentadas às vítimas até que as restituições fossem completamente interrompidas.

A investigação busca descobrir para onde foi o dinheiro captado e quem efetivamente controlava a estrutura financeira e também aponta que os recursos teriam sido movimentados por contas pessoais e por empresas ligadas ao principal investigado. Entre os negócios citados estão empresas dos setores de construção civil, laboratório, consultoria contábil e uma instituição de pagamentos.

Polícia investiga possível uso de laranjas

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a composição societária da empresa responsável pelo suposto banco digital. Segundo a Polícia Civil, a companhia tinha capital social declarado de R$ 5 milhões, mas alguns dos sócios registrados não apresentariam capacidade financeira compatível com os valores movimentados.

Para os investigadores, isso pode indicar o uso de laranjas — pessoas que aparecem formalmente como proprietárias ou sócias de empresas, mas que, na prática, poderiam estar ocultando os verdadeiros controladores ou beneficiários do negócio.

A polícia também identificou uma instituição de pagamentos que teria funcionado como uma espécie de conta de passagem. Nela, foram registrados mais de R$ 5,4 milhões em operações classificadas como estornos.

Família também aparece na investigação

A investigação aponta ainda que integrantes da família de Roberto Vieira Soares teriam participado da estrutura empresarial analisada pela polícia.

Segundo os investigadores, a esposa e o filho do pastor aparecem como sócios de empresas utilizadas para movimentar recursos. A polícia também identificou saques de grandes quantias em dinheiro vivo.

A participação de familiares, contudo, ainda está sob investigação e não significa, por si só, que eles tenham cometido crimes.

Operação Golpe de Fé

A Operação Golpe de Fé recebeu esse nome em referência à suposta utilização da condição de líder religioso para conquistar a confiança das vítimas e captar dinheiro.

As diligências desta terça-feira têm como objetivo aprofundar a investigação sobre o fluxo financeiro do grupo, identificar outros possíveis participantes e localizar patrimônio que possa ter origem nos recursos supostamente desviados.

A polícia também pretende esclarecer quem eram os responsáveis pela administração da plataforma Gal Invest Bank e qual era a destinação final do dinheiro recebido dos investidores. As diligências continuam para identificar outros envolvidos, esclarecer a movimentação financeira e tentar recuperar os valores que possam ter sido obtidos de forma ilícita.