O Rio de Janeiro voltou a ter a nota máxima da Fitch Ratins, uma das principais agências de classificação de riscos do mundo, elevando o Rating Nacional de Longo Prazo do Município do Rio de AA para AAA. A atualização recolocou a cidade no mais alto nível da escala nacional de classificação de riscos de crédito, que funciona como um selo sobre a capacidade do município em hornar as próprias dívidas e compromissos financeiros. Além da nota máxima nacional, a Fitch elevou o Perfil de Crédito Individual (PCI) do município de BB para BB , prevendo estabilidade para os próximos anos.
A conquista simboliza uma virada histórica na gestão financeira carioca. Em 2021, o governo municipal assumiu a administração com um déficit fiscal de R$ 6 bilhões, R$ 4,9 bilhões em restos a pagar, além do esgotamento de caixa e do descumprimento dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal para despesas com pessoal.
O cenário atual, no entanto, demonstra uma expansão do orçamento, que cresceu de R$ 30,5 bilhões em 2020 para R$ 53 bilhões em 2026. A arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) passou de R$ 5,9 bilhões para R$ 10,1 bilhões no período, restabelecendo a capacidade própria de investimentos.
O que muda para o carioca?
Embora o Rio tenha recebido a maior nomeclatura na escala nacional da Fitch, isso não significa que o Município tenha recebido a maior avaliação possível em uma comparação mundial. A classificação AAA anunciada é nacional, ou seja, compara o risco de crédito do município com o de outros emissores brasileiros.
Para o carioca, não há uma mudança automática ou imediata. O efeito do reconhecimeto é indireto, gerando uma situação fiscal sólida e que facilita investimentos e financiamentos, contribuindo para um ambiente mais favorável à realização de novos projetos no Rio.
Reflexo da gestão pública
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, ressaltou que a elevação da nota reflete o rigor aplicado na supervisão dos recursos públicos desde o início da atual gestão. "Quando assumimos a Prefeitura, em 2021, encontramos uma situação fiscal muito difícil. Desde o primeiro dia, o orçamento foi acompanhado com lupa, despesa por despesa, receita por receita, contrato por contrato. Agora, a nota AAA da Fitch é um reconhecimento desse trabalho", declarou o prefeito.
A estratégia de reconstrução fiscal incluiu a implementação do Novo Regime Fiscal, a Reforma da Previdência, a modernização tributária e a redução de custos com fornecedores. A secretária municipal de Fazenda, Andrea Senko, enfatizou a importância da transição promovida nas contas municipais. "A Fitch avaliou a continuidade da solidez na gestão fiscal do município, praticada nos últimos cinco anos, e sua sustentabilidade para os próximos anos", avaliou.
Desafios econômicos
Na avaliação técnica da agência, o Rio de Janeiro manteve margem operacional média de 11,6% entre 2021 e 2025, atingindo 11,8% no último ano. A dívida líquida consolidada encerrou 2025 representando 35,8% da Receita Corrente Líquida, índice significativamente inferior ao teto de 120% determinado pela legislação fiscal.
Além disso, a prefeitura mantém em dia os saldos de liquidez, os pagamentos a fornecedores e os vencimentos da folha funcional. Em comparação com outros entes, o município superou o Estado de São Paulo no indicador de retorno de investimentos (payback).
Apesar da elevação da classificação carioca, a Fitch apontou fragilidades estruturais, como a baixa flexibilidade para cortar despesas operacionais e a concentração da arrecadação em um grupo reduzido de contribuintes. A nota internacional do Rio segue ancorada em "BB", limitada pelo teto soberano do Brasil.
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