Correio da Manhã
Rio de Janeiro

Instituições filantrópicas impulsionam ações sociais no Rio de Janeiro

ABBR e Arte Salva Vidas têm histórias de reabilitação, afeto e transformação social

Instituições filantrópicas impulsionam ações sociais no Rio de Janeiro
ABBR fica no Jardim Botânico e recebe muitos pacientes do SUS para tratamentos Crédito: Divulgação

As instituições filantrópicas desempenham um papel vital na garantia de direitos fundamentais. Organizadas de forma privada e sem fins lucrativos, essas associações direcionam todo o seu faturamento para o bem-estar social, garantindo que o acesso à saúde, à educação e à dignidade chegue às populações mais vulneráveis.

No Rio de Janeiro, esse trabalho se traduz em trajetórias de superação e acolhimento que transformam vidas diariamente. A Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), localizada no Jardim Botânico, é uma referência histórica. Criada originalmente para combater a poliomielite, a instituição acumula conquistas memoráveis, incluindo o prestigiado Prêmio Nacional de Direitos Humanos.

A ABBR opera como um ecossistema de saúde integrado, abrigando mais de 20 setores especializados, como fisioterapia, terapia integrada (STI), musicoterapia, enfermagem e serviço social. Além disso, produz sob medida órteses, próteses e cadeiras higiênicas, garantindo mobilidade imediata aos pacientes. Em média, atende cerca de 1000 pessoas por dia, dos quais, aproximadamente, 80% vêm do Sistema Único de Saúde (SUS).

"O foco da ABBR é garantir que cada paciente que chega até nós se sinta amparado, respeitado e fortalecido para retomar o controle da própria vida. Não se trata apenas de oferecer atendimento, mas de criar caminhos para que nossos atendidos conquistem mais independência e qualidade de vida", disse José Arthur, presidente da ABBR.

Além da assistência direta, a instituição abriga o CEAPES (Centro de Estudos Aperfeiçoamento e Pesquisa ABBR), um auditório e centro técnico voltado à formação continuada e à disseminação de conhecimento prático para estudantes e profissionais da saúde.

Arte que salva vidas

Se a ABBR impressiona pela estrutura de saúde, a Associação Filantrópica Arte Salva Vidas emociona pela força de sua origem.

Em 2012, a atual presidente da instituição, Aldari Marques, foi diagnosticada com câncer e recebeu um prognóstico de apenas quatro meses de vida. No leito do hospital, fez uma promessa: se sobrevivesse, dedicaria sua existência a cuidar do próximo. Ela venceu a doença e, em 2017, após anos organizando feiras de artesanato para reverter lucros em cestas básicas, fundou oficialmente a associação.

O caminho da Arte Salva Vidas, que atua fortemente na Praça Mauá e no Complexo do Caju, foi marcado por desafios severos, mas também por grandes vitórias. Em 2019, conquista da cessão de uso do galpão que hoje serve como sede da instituição. No ano seguinte, oficialização da feira de artesanato por Decreto Municipal, após anos de perseguição no espaço público.

"Nossa conexão é baseada em uma palavra: verdade. Quando tentaram nos tirar do galpão no Caju, a própria comunidade não permitiu. Ser recebido hoje com um sorriso ou um 'obrigado' de uma mãe que ganhou o enxoval do filho é o que confirma a promessa que fiz em 2012", ressalta Aldari Marques, presidente da Arte Salva Vidas.

A instituição desenvolve projetos multifacetados para amparar a comunidade em diversas frentes, como colônias de férias, atividades esportivas e capacitação voltada à prevenção do uso de entorpecentes; ações de integração social e suporte emocional para a terceira idade; capacitação técnica para que mulheres conquistem independência financeira; e apoio à população de rua.

Tanto a ABBR quanto a Arte Salva Vidas mostram que a filantropia no Rio de Janeiro vai além da assistência material. Seja na alta complexidade da reabilitação física ou no acolhimento caloroso em territórios vulneráveis, ambas as instituições provam que o investimento no ser humano é a ferramenta mais poderosa para a construção de uma sociedade justa e independente.