O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada na quinta-feira (5), que organizou sozinho sua saída do Brasil após a derrota presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração contrasta com a confirmação anterior de Jason Miller, assessor ligado à Casa Branca, de que providenciou o avião utilizado pelo parlamentar e sua família.
"Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo", declarou Flávio. Questionado sobre os detalhes da viagem até Miami, afirmou que levará as informações "para o túmulo".
A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do senador. Flávio deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e chegou aos Estados Unidos em um jato particular, com escala no Equador.
Críticas ao Judiciário
Durante a entrevista, Flávio afirmou acreditar que seria preso caso permanecesse no Brasil. "Eu já sei que o resultado final seria minha prisão", declarou.
O senador também criticou a atuação do Judiciário e apontou Moraes como exemplo do que considera uma atuação politicamente motivada. Flávio nega irregularidades nas investigações das quais é alvo.
A avaliação de que seria preso representa uma alegação do parlamentar, não uma conclusão judicial.
Questionamentos eleitorais
Flávio voltou a questionar a vitória de Lula, sem apresentar provas de fraude. Apesar de considerar o resultado eleitoral suspeito, reconheceu as dificuldades de obter sua reversão.
"Sei que isso não vai levar a nada. Perdi para o sistema", afirmou.
O senador também criticou a ampliação do horário de votação no segundo turno. Segundo os dados citados na reportagem, a medida atingiu aproximadamente 34 mil votos, número insuficiente para alterar a diferença de cerca de 4,4 milhões de votos entre os candidatos.
Futuro nos Estados Unidos
Flávio afirmou que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos, onde recebeu autorização temporária para permanecer com a família.
O senador também não descartou uma nova candidatura presidencial caso sejam realizadas outras eleições.
"Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente", declarou.
A entrevista ocorre enquanto congressistas americanos cobram esclarecimentos do governo Trump sobre a possível participação de autoridades dos Estados Unidos na viagem. O Departamento de Estado tem até 13 de novembro para responder aos questionamentos.
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