O lançamento da candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado, nesta quarta-feira (4), intensifica a tensão na disputa pelo comando da Casa. O PL oficializou o nome do senador com a expectativa de reunir a direita contra a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP), mas terá de superar uma divisão dentro do próprio campo político. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém sua pré-candidatura e busca apoio entre parlamentares de centro e centro-direita, justamente os votos que são considerados decisivos para a eleição de fevereiro de 2027.
Ao Correio da Manhã, Tereza confirmou que não pretende recuar neste momento. "A candidatura está mantida. Converso com Marinho todos os dias", afirmou. À CNN Brasil, a parlamentar reforçou o objetivo de se tornar a primeira mulher a presidir o Senado.
A Senadora disse que pretende conversar com todos os colegas, inclusive com o atual presidente. "Vou até pedir voto para o senador Davi Alcolumbre porque eu já disse a ele que ele precisava ter uma mulher como sucessora", declarou.
A estratégia de Tereza é se apresentar como uma alternativa capaz de atrair senadores que resistem tanto ao nome de Marinho quanto à permanência de Alcolumbre. A parlamentar reconhece que uma eventual desistência não garantiria a transferência integral de seus votos ao candidato do PL. Marinho, por sua vez, aposta em um entendimento futuro. "A senadora Tereza é nossa parceira, está do mesmo lado. comungamos das mesmas bandeiras, dos mesmos propósitos e juntos faremos o possível para derrotarmos o atual presidente", afirmou durante o lançamento da candidatura.
Com 28 senadores na próxima legislatura, o PL terá a maior bancada da Casa, mas precisará atrair integrantes de outras legendas para alcançar os 41 votos necessários à eleição. Marinho afirma já contar com mais de 40 apoios, embora essa estimativa ainda não represente votos assegurados. O senador também defendeu o voto aberto na eleição da Mesa, atualmente secreta, como forma de dar transparência à escolha do novo presidente.
No discurso de lançamento, Marinho sinalizou que pretende mudar a condução de pautas hoje barradas pela presidência do Senado. Defendeu a votação da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e afirmou que não será omisso diante de eventuais crimes de responsabilidade de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A posição reforça uma das principais bandeiras da oposição contra Alcolumbre, criticado por não dar andamento aos pedidos de impeachment de integrantes da Corte. Especialmente, do ministro Alexandre de Moraes.
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