Motivo para prorrogação de horário de votação, falta de ônibus ocorreu em vários estados
O locomoção é gratuita em todo o país, mas muitas cidades não colocaram 100% da frota e houve muita dificuldade para chegar aos locais de votação
O pedido de prorrogação do horário da votação para até 19h, feito pela campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aceito pelo ministro Cristiano Zanin, no Supremo Tribunal Federal (STF), foi motivado após milhares de eleitores terem dificuldades para usar o transporte público para votar. O locomoção é gratuita em todo o país, mas muitas cidades não colocaram 100% da frota e houve muita dificuldade para chegar aos locais de votação.
Um dos casos que mais notórios foi o de Salvador. Muitos moradores e artistas usaram as redes sociais para denunciar a falta de ônibus. O rapper Baco Exu do Blues disse que a prefeitura estava "brecando" os ônibus e falou em "ataque à democracia". Depois disso, as redes sociais da Prefeitura da cidade e do prefeito, Bruno Reis (União Brasil), foram tomadas por críticas e denúncias.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegou a determinar a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza. Também foi estabelecida o retorno imediato da frota integral, com frequência equivalente à dos dias úteis. A decisão previa multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento para o município e para cada empresa de ônibus responsável pela operação.
Em São Paulo, a coligação também alegou que, apesar de uma determinação judicial para a circulação de 100% da frota de ônibus na capital, apenas cerca de 60% dos veículos estariam em operação. O pedido cita a região central, a Zona Leste e a Avenida Paulista como áreas com oferta reduzida de coletivos.
Guilherme Boulos, ministro da Secretaria Geral da Presidência do Lula, fez denúncias sobre os problemas de mobilidade em São Paulo. Ele mostrou imagens de uma garagem de ônibus na Zona Leste da cidade cheia, descumprindo decisão judicial. O político afirma que o problema ocorre principalmente em regiões onde Lula ganhou mais votos que Flávio no primeiro turno e onde a administração pertence a aliados do candidato do PL.
Outras regiões afetadas
Outros estados tiveram problemas na mobilidade e foram citadas no pedido feito pela campanha de Lula. Em Alagoas, também foram relatadas falhas no transporte complementar entre municípios, com falta de vans e micro-ônibus, além de filas que ultrapassariam uma hora. A petição também menciona denúncias de cobrança irregular de passagens, situação que teria motivado a atuação do Ministério Público.
Em Pernambuco, o documento aponta dificuldades para acessar a gratuidade no transporte intermunicipal. Em Roraima, a campanha relatou que empresas contratadas teriam deixado de cumprir rotas destinadas ao deslocamento de eleitores, prejudicando comunidades indígenas.
No Piauí e na Paraíba, foram mencionadas queixas sobre a redução da frota em Teresina e registros em vídeo de ônibus que não teriam parado em pontos de João Pessoa.
No Rio de Janeiro, o pedido cita problemas na circulação de veículos e longos períodos de espera em Petrópolis e São Gonçalo. No Pará, a coligação relata dificuldades de deslocamento na região do Marajó.