Eleições 2026

Justiça Eleitoral manda prender secretário de Salvador após retenção de ônibus no segundo turno

TRE-BA determina prisão de Pablo Souza após denúncias de redução da frota, exige circulação integral e prevê multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento

Justiça Eleitoral manda prender secretário de Salvador após retenção de ônibus no segundo turno
Secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, teve prisão determinada pela Justiça Eleitoral após denúncias sobre a circulação de ônibus durante a votação Crédito: Jefferson Peixoto/Secom PMS

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou, neste domingo (25), a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, em meio às denúncias de retenção de ônibus durante o segundo turno das eleições presidenciais. A ordem foi confirmada pelo presidente da Corte, desembargador Maurício Kertzman Szporer. 

A medida foi tomada após a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, denunciar que a circulação de ônibus na capital baiana estaria mais de 50% abaixo do serviço habitual, dificultando o deslocamento de eleitores aos locais de votação. Passageiros relataram longas esperas e pontos lotados em diferentes regiões da cidade.

Além da ordem de prisão, a Justiça Eleitoral determinou o restabelecimento imediato da frota integral, com frequência equivalente à dos dias úteis e transporte gratuito. A decisão prevê multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento para o município e para cada empresa de ônibus responsável pela operação.

O TRE-BA também ordenou fiscalização pela Polícia Civil, inclusive com possibilidade de uso de drones, e o encaminhamento de informações à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para apuração de eventuais infrações. O secretário foi intimado a comprovar documentalmente o cumprimento da determinação no prazo de uma hora após a ciência da ordem.

Uma fiscalização do Procon-BA encontrou 55 ônibus aptos a circular, mas parados na garagem da empresa OT Trans, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. A empresa foi autuada. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) reconheceu que 75 veículos ficaram retidos durante a manhã, mas atribuiu a interrupção à colocação de adesivos eleitorais nos coletivos por sindicalistas que, segundo ele, seriam ligados ao PT. A acusação do prefeito não foi comprovada de forma independente.

Antes da ordem de prisão ser noticiada, Pablo Souza pediu desculpas pelos atrasos e afirmou que a retenção dos veículos ocorreu por causa da propaganda eleitoral nos ônibus. Segundo o secretário, a orientação da pasta era liberar os coletivos mesmo que a retirada dos adesivos não tivesse sido concluída. A Secretaria Municipal de Mobilidade declarou que o serviço foi normalizado, informação ainda sem confirmação independente sobre toda a frota.

O senador eleito Rui Costa (PT-BA), coordenador da campanha de Lula, também acusou a prefeitura de dificultar o acesso às urnas e defendeu medidas contra o prefeito. Bruno Reis negou ter provocado deliberadamente a redução da frota. A responsabilidade individual pelas ocorrências dependerá da apuração das autoridades competentes.