A prorrogação do segundo turno das eleições presidenciais até as 19h deste domingo (25) provocou diferenças no funcionamento das seções eleitorais pelo país. Enquanto parte das urnas continuou recebendo votos após as 17h, outras já haviam encerrado os trabalhos quando a determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi comunicada. A medida levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Kassio Nunes Marques, a interromper temporariamente a apuração.
Em São Paulo, o Centro Universitário FAM, na Bela Vista, foi um dos locais onde a votação continuou parcialmente. Das 33 urnas instaladas, sete permaneceram abertas após as 17h, enquanto 26 já haviam sido encerradas. Os portões da instituição, fechados no horário original, foram reabertos às 17h51. Mesmo assim, eleitores vinculados às seções encerradas não conseguiram votar.
Ainda na capital paulista, o Colégio Dante Alighieri registrou situação diferente. As urnas já estavam fechadas quando eleitores chegaram após as 17h. Entre eles, um médico que havia saído do plantão e encontrou o local sem possibilidade de receber novos votos. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou, às 18h34, que todas as zonas eleitorais haviam sido comunicadas sobre a prorrogação e que os votos das seções encerradas seriam computados normalmente.
Na Bahia, o Colégio Manoel Devoto, no Rio Vermelho, em Salvador, também manteve a votação em funcionamento depois das 17h. Pelo menos quatro eleitores conseguiram votar após a decisão. O cenário foi diferente no Colégio Kleber Pacheco, em Pernambués, no Colégio Central e no Centro Universitário Estácio da Bahia, em Costa Azul, onde houve registros de fechamento das urnas ou dos portões.
No Colégio Luiz Viana, também em Salvador, eleitores relataram que os portões foram reabertos por aproximadamente dez minutos e depois fechados novamente. A denúncia, divulgada em redes sociais, ainda não permite confirmar quantas seções permaneceram efetivamente funcionando.
No Rio de Janeiro, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) orientou que todas as seções ainda abertas permanecessem instaladas até as 19h, com a manutenção das mesas receptoras de votos. Nos locais já encerrados, os responsáveis deveriam identificar os eleitores que comparecessem entre 17h e 19h e informar os casos à Justiça Eleitoral.
Na Escola Municipal Soares Pereira, na Tijuca, as 14 seções foram encerradas por volta das 17h. Eleitores que chegaram depois encontraram as urnas fechadas. O tribunal esclareceu que o registro dessas pessoas não significava autorização para reabrir os equipamentos.
Em Minas Gerais, também foram registrados encerramentos no horário original. No Colégio Santo Agostinho, em Belo Horizonte, as urnas já estavam sendo retiradas do local por volta das 18h, sob escolta policial. Quatro eleitores apareceram depois das 17h, mas não conseguiram votar.
No Nordeste, além da Bahia, Pernambuco também enfrentou dúvidas sobre a aplicação da prorrogação. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), desembargador Erik Simões, confirmou que as seções já encerradas não seriam reabertas. A orientação permitia a continuidade da votação apenas nos equipamentos que ainda estavam funcionando. Não havia, no levantamento consultado, uma relação nominal completa das escolas pernambucanas que receberam votos após as 17h.
A diferença no funcionamento das seções ocorreu porque a decisão de Zanin foi divulgada depois do horário originalmente previsto para o encerramento. A Justiça Eleitoral já havia iniciado a totalização dos votos quando a determinação de ampliar o atendimento foi comunicada. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou que a extensão valesse somente para as seções que ainda não haviam concluído a votação.
A medida foi motivada por reclamações sobre dificuldades de transporte de eleitores, especialmente na Bahia e em São Paulo. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou a prorrogação diante de problemas de mobilidade. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também apresentou pedidos de extensão em municípios atingidos por chuvas, alagamentos e bloqueios de vias.
A situação levantou questionamentos jurídicos sobre a diferença de tratamento entre eleitores de seções encerradas e aqueles que puderam votar até as 19h. Especialistas em direito eleitoral apontaram a possibilidade de contestações judiciais, embora a existência de pedidos ou questionamentos não represente, por si só, a anulação da eleição.
Em comunicado divulgado às 18h44, o TSE confirmou que a eleição permanecia em andamento exclusivamente nos locais onde a votação não havia terminado às 17h. O tribunal informou ainda que o recebimento dos Boletins de Urna, a totalização dos votos e a divulgação dos resultados seriam retomados após as 19h.
Até aquele momento, não havia sido divulgada uma lista nacional com os números de todas as seções que permaneceram abertas. Os registros identificados em São Paulo e Salvador confirmam a continuidade da votação em determinados locais, mas não permitem calcular o total de urnas que funcionaram durante as duas horas adicionais em todo o país.
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