Em novo depoimento à Polícia Federal (PF), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a defender que a venda de carteiras de crédito do Banco Master não provocou prejuízo ao Banco de Brasília (BRB) e negou irregularidades na operação.
Ao contrário das oitivas anteriores, que ocorreram por meio de videoconferência, ele conversou durante quatro horas com os agentes da Polícia Federal nesta quinta-feira (15) presencialmente. O banqueiro está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como Papudinha.
Horas antes de conversar com Vorcaro, os agentes também interrogaram o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que também está preso na Papudinha. No depoimento, Costa manteve narrativa semelhante à do banqueiro e negou prejuízos na operação entre Banco Master e BRB. O ex-presidente do Banco de Brasília foi preso após conversas nos aparelhos telefônicos de Vorcaro apontarem que o dono do Master pagou R$ 146,5 milhões em propina (tudo com imóveis) para Costa acelerar o processo da compra do Master pelo BRB.
No ano passado, o BRB tentou comprar o Banco Master e chegou a investir R$ 16,7 bilhões para a aquisição de ativos e tentativas de compra do banco. Do montante do valor transferido, segundo o Banco Central (BC), R$ 12,2 bilhões envolveram operações atípicas e créditos sem lastro real, ou seja, sem garantia que comprovasse a capacidade do pagamento. Para além de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, a PF investiga o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) por “atuação direta” na compra da instituição financeira. Ibaneis segue em liberdade.
A PF ainda agendou para esta sexta-feira (16) o depoimento do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. O depoimento de Lima inicialmente estava previsto para acontecer em agosto, mas teve que ser adiado. Augusto Ferreira Lima foi preso logo na primeira fase da Operação Compliance Zero, operação deflagrada pela PF que investiga o suposto esquema de emissão e negociação de títulos de crédito fraudulentos envolvendo o Master e demais instituições financeiras, em novembro de 2025. Menos de um mês após sua prisão ele foi solto por determinação do Tribunal Regional Eleitoral da 1ª Região, sob a condição de cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Porém, o nome do empresário voltou a circular entre os investigadores, após a polícia encontrar mensagens com negociações do Master entre o empresário e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Também foram registrados diversos registros telefônicos entre eles de novembro de 2023 a maio de 2025. O conteúdo das mensagens aponta a oferta de aeronaves particulares para Wagner e sua família, além de ingressos de shows e um imóvel avaliado em mais de R$ 2 milhões.
Conversas
Ainda nesta quinta-feira, uma nova figura entrou no quebra cabeça do esquema do Banco Master: o diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo, Frederic Kachar.
A PF encontrou nos aparelhos eletrônicos apreendidos de Vorcaro trocas de conversas, e de favores, entre Vorcaro e Frederic Kachar. Nas conversas, Vorcaro pede favores para favorecer sua ex-namorada Martha Greif, criticou matérias de jornalistas e mantinha conversa ativa com Kachar para o Master participar de festas da empresa, como o Baile da Vogue de 2024. Em troca, o agora diretor-geral participava das festas e orgias com mulheres estrangeiras organizadas por Vorcaro.
No mesmo dia, a Globo comunicou a demissão de Kachar, reforçando “a absoluta independência editorial do jornalismo dos veículos”. “Desde sempre, nossos profissionais e veículos têm trazido informações e denúncias que ganharam grande destaque e repercutiram em toda a imprensa. Nosso noticiário absolutamente independente de patrocínio ou de qualquer relação comercial pode ser verificado facilmente na cobertura dos mais diversos assuntos – a do caso Master é apenas um deles”, reforçou o grupo por meio de nota.
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