O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (13) que a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de votar a favor do fim da escala de trabalho 6x1 ocorreu após a pressão popular e as manifestações realizadas no país. Flávio, adversário de Lula no segundo turno da eleição presidencial, anunciou apoio à proposta depois de ter criticado o texto.
“Me parece que, depois da pressão da sociedade, me parece que depois de todas as manifestações na rua deste Brasil, o partido do PL resolveu votar o fim da escala 6x1”, declarou Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, para anunciar medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs).
Após comentar a mudança de posição do PL, o presidente fez uma provocação aos adversários políticos. “Eu, de vez em quando, fico pensando: se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”, afirmou.
Nos últimos dias, Lula vinha cobrando publicamente que Flávio Bolsonaro e o PL se posicionassem sobre a proposta. Na quinta-feira (8), o presidente disse que o partido e o candidato não queriam assumir o compromisso de aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Flávio Bolsonaro anuncia voto favorável à PEC
Nesta terça-feira, Flávio declarou que votará a favor do fim da escala 6x1, embora continue defendendo mudanças no modelo em discussão. Segundo o senador, sua decisão considera a posição da maioria dos trabalhadores.
“Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6x1. Vou votar a favor do fim da 6x1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”, afirmou.
O candidato do PL defende maior liberdade para que empregadores e empregados negociem a organização dos horários de trabalho. Ele também questionou como a proposta contemplaria pessoas que trabalham em regime de home office e mães que precisam cumprir jornadas reduzidas.
Como está a proposta do fim da escala 6x1
A PEC que prevê o fim da escala 6x1 já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, conforme o texto original da proposta em tramitação.
O texto reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
O Senado tem votação em primeiro turno prevista para esta quarta-feira (14). Para ser aprovada, a proposta precisa do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores. Como se trata de uma emenda constitucional, também será necessária uma segunda votação na Casa.
Nas últimas semanas, parlamentares governistas tentaram acelerar a tramitação, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro buscaram adiar a análise do texto.
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