Ato na Avenida Paulista

Lula pede mobilização de eleitores abstencionistas em ato na Paulista

Em evento com aliados em São Paulo, presidente defendeu convencer quem não votou no primeiro turno e criticou Bolsonaro; Lula também cobrou posição da oposição sobre escala 6x1

Lula pede mobilização de eleitores abstencionistas em ato na Paulista
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, pediu neste domingo (11) que apoiadores procurem eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, pediu neste domingo (11) que apoiadores procurem eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições. Durante ato na Avenida Paulista, na região do Museu de Arte de São Paulo (Masp), o petista afirmou que é necessário convencer essas pessoas a participar da votação de 25 de outubro, quando disputará o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).

Lula citou cerca de 30 milhões de pessoas que não votaram e defendeu que os apoiadores conversem com familiares e conhecidos para estimular a participação eleitoral.

“Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. [...] Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar”, afirmou. O presidente também mencionou os eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, e disse que a mobilização deve considerar a importância da participação democrática.

O ato começou às 11h e reuniu aliados políticos, estudantes, representantes de entidades científicas e apoiadores do governo. A mobilização integrou uma agenda em defesa da educação, da ciência, da tecnologia e da democracia.

Lula critica Bolsonaro e promete revolução tecnológica

Durante o discurso, o presidente voltou a criticar a atuação de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia de Covid-19. Lula afirmou que construir políticas públicas exige esforço e acusou o ex-presidente de desconsiderar a ciência e o sofrimento das vítimas da doença.

“Vocês sabem que construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é simples”, declarou. Em seguida, criticou a postura de Bolsonaro diante das mortes provocadas pela pandemia e afirmou que o ex-presidente duvidou da ciência e da medicina.

Lula também apresentou prioridades para um eventual novo mandato, com destaque para a formação de profissionais em inteligência artificial, o desenvolvimento da indústria digital, a transição energética e a segurança pública.

“Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica deste país. A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial. A gente vai ter que formar muita gente para a nova indústria digital”, afirmou.

Na área de segurança, o presidente defendeu mudanças para ampliar a proteção da população e combater o crime organizado. Ele também mencionou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que, segundo Lula, deve definir as responsabilidades da União e dos municípios no enfrentamento à criminalidade.

Lula cobra oposição sobre o fim da escala 6x1

Antes do ato, em conversa com jornalistas, Lula afirmou que a votação da proposta sobre a escala de trabalho 6x1 estava prevista para quarta-feira. O presidente cobrou que os partidos de oposição se posicionem sobre a medida, que busca ampliar o período de descanso dos trabalhadores.

Questionado sobre a possibilidade de adiamento da votação para depois do segundo turno, Lula disse que o calendário havia sido acertado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

“Já está conversado com o Alcolumbre. Já está marcada a data da votação. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é o seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor”, afirmou.

O presidente também direcionou a cobrança ao PL, partido de Flávio Bolsonaro, e questionou se a legenda apoia a ampliação do descanso semanal dos trabalhadores.

Lula ainda criticou possíveis propostas de redução de direitos e comparou as medidas ao programa econômico do presidente argentino Javier Milei. Segundo o petista, eventuais cortes poderiam prejudicar a população de baixa renda e os aposentados.

Presidente questiona decisão da Justiça Eleitoral

Outro tema abordado por Lula foi a decisão do ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relacionada ao canal do deputado federal André Janones. O presidente classificou a medida como um “absurdo” e disse que os advogados de sua campanha devem pedir explicações à Justiça Eleitoral.

“Eu acho um absurdo. Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar, sabe, com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral”, declarou.

Lula também afirmou perceber decisões que, em sua avaliação, prejudicariam sua candidatura e mencionou bloqueios de perfis ligados ao seu grupo nas redes sociais. O presidente disse que pretende recorrer à Justiça para contestar o que considera interferência indevida no processo eleitoral.

As declarações foram feitas em meio à disputa pelo segundo turno presidencial, no qual Lula enfrenta Flávio Bolsonaro.

Ato reuniu aliados políticos e entidades

Entre os presentes na mobilização da Avenida Paulista estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ex-ministra Marina Silva, o ministro Guilherme Boulos e os governadores Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí.

A mobilização também foi convocada por organizações ligadas à educação e à ciência, como a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). As entidades defenderam o financiamento público da educação e da pesquisa, a valorização de professores e cientistas e a autonomia universitária.

Campinas e Belo Horizonte também tiveram manifestações

Em Campinas, no interior de São Paulo, apoiadores de Lula se concentraram às 10h no Largo do Rosário, no Centro, para a Marcha pela Democracia. Por volta das 11h30, os participantes iniciaram uma passeata pelas ruas da região central.

O ato terminou por volta das 13h20, com retorno ao ponto inicial. A dispersão começou às 13h30, quando a Avenida Francisco Glicério foi liberada para o trânsito.

Em Belo Horizonte, apoiadores participaram de um bandeiraço organizado pelo bloco Sou Vermelho, no quarteirão fechado da Rua dos Carijós. A manifestação começou por volta das 10h, e os participantes seguiram depois para uma caminhada pela Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena.

Segundo a prefeitura da capital mineira, a Unidade Integrada de Trânsito, formada pela BHTrans, pela Guarda Civil Municipal e pela Polícia Militar, monitorou a região da Praça Sete para acompanhar a circulação de pessoas e veículos e garantir a segurança durante a mobilização.