Uma publicação da revista Veja no final da semana passada divulgou um áudio do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em que o banqueiro diz que negociou com o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto um pagamento de R$ 30 milhões em espécie destinado para o Instituto Lula, para financiar o documentário “Lula”, dirigido pelo cineasta americano Oliver Stone e lançado em 2024, em troca de conseguir acessar os cofres dos fundos de pensão de servidores federais “controlados pelo petismo”.
Contudo, horas depois da publicação da revista, feita na última sexta-feira (9), a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal (PF) negaram que Vorcaro tenha apresentado documentos ou citado o financiamento nas três tentativas que fez para tentar firmar um acordo de colaboração premiada com a instituição.
A matéria gerou forte repercussão e, especialmente, comparações entre os repasses de US$ 12,3 milhões (na cotação de dólar da época, R$ 64 milhões) que Vorcaro destinou para o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a reportagem, “Vorcaro juntou detalhes dessa história num anexo que foi levado à PGR” e que a Procuradoria não levou o caso adiante por falta de provas, já que os supostos pagamentos foram feitos em dinheiro em espécie.
Contudo, no mesmo dia da publicação do material, o Ministério Público Federal (MPF) divulgou uma nota informando que “as tratativas de colaboração premiada envolvendo Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado” e que todas as propostas formalizadas foram recebidas “sem juízo nem recusas prévias”.
“Não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR. Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, reiterou o MPF.
Na mesma linha, a PF informou que Vorcaro “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”. “As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa”, completou a Polícia Federal, por meio de nota.
Vorcaro atualmente está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como “Papudinha”. Todas as três tentativas de delação premiada apresentadas pela defesa do banqueiro foram negadas porque, segundo a PGR e a PF, as informações oferecidas pela defesa de Vorcaro já constavam nos aparelhos eletrônicos do banqueiro apreendidos quando ele foi detido e, consequentemente, ele não ofereceu novas informações e novidades que contribuíssem nas investigações do caso.
Com as negativas do acordo, Vorcaro trocou seus advogados de defesa. E, questionados pela imprensa, os próprios defensores de Vorcaro negaram a existência do conteúdo. Um dos advogados da equipe de Vorcaro, o criminalista Daniel Bialski confirmou que a voz no áudio divulgado na reportagem era a de Vorcaro. Contudo, ele reafirmou que não tem conhecimento de quando a gravação foi feita e que nunca foi comunicado da informação do áudio.
Após a repercussão do caso, no sábado (10), a própria Veja publicou uma matéria se defendendo das respostas institucionais acerca da reportagem divulgada. A matéria reitera que o áudio de Vorcaro é verdadeiro e que, “em nenhum momento” a revista disse que a gravação consta nas tentativas de delação premiada do banqueiro. A revista também diz que a confissão de Vorcaro foi feita à Polícia Federal e, por isso, a PF não tinha conhecimento do conteúdo.
Menu