Mendonça mantém controle sobre dados mais sensíveis do caso Master

Ministro retirou sigilo de 15 procedimentos após pedido de Fachin, mas investigações consideradas delicadas continuam protegidas.

Por Bianca Lobianco

André Mendonça retira sigilo parcial do caso Master

O levantamento do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), não tornou público todo o material do caso. Embora o presidente da Corte, Edson Fachin, tenha solicitado maior transparência nas apurações, Mendonça continua responsável por avaliar quais informações podem ser divulgadas sem comprometer investigações em andamento.

Na noite de quinta-feira (10), Fachin solicitou que os procedimentos relacionados ao caso Master fossem encaminhados à Presidência e aos gabinetes dos demais ministros. Também pediu a retirada do sigilo das informações cuja divulgação não coloque em risco diligências ou outros atos investigativos.

Pouco depois, Mendonça atendeu à solicitação e retirou o segredo de Justiça da Petição 15.556 e de outros 14 procedimentos. Ao todo, 15 processos foram abertos, entre eles os inquéritos 5.026 e 5.035, uma reclamação e outras petições em tramitação no Supremo.

Entre os documentos liberados estão investigações relacionadas à operação BRB-Master e ao suposto vazamento de informações sigilosas do Banco Central. Também foram abertas apurações sobre os grupos chamados de "A Turma" e "Os Meninos", investigados, respectivamente, por suspeitas de ameaças e obtenção clandestina de informações e por ataques cibernéticos.

A decisão, entretanto, não representa o fim completo do sigilo do caso Master. Investigações consideradas mais sensíveis continuam protegidas. Entre elas estão procedimentos relacionados ao filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produtora responsável pelo projeto foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira.

Na prática, Fachin não retirou diretamente o sigilo de todas as investigações. Como Mendonça permanece relator dos principais procedimentos relacionados ao Master, cabe a ele avaliar quais informações podem vir a público e quais devem continuar protegidas para preservar diligências.

A diferença é importante porque o levantamento parcial ocorre em meio à crise interna do Supremo provocada pela divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Mendonça havia tornado público um relatório da PF contendo as conversas, decisão posteriormente questionada pela Procuradoria-Geral da República.

Fachin reagiu à escalada da crise na quarta-feira (9), quando suspendeu decisões conflitantes tomadas por ministros, retirou Moraes da condução do inquérito das fake news e estabeleceu que novos procedimentos envolvendo integrantes do Supremo devem passar previamente pela Presidência da Corte.

O presidente do STF também determinou que cópias integrais dos procedimentos do Master sejam disponibilizadas aos demais ministros, mesmo quando o conteúdo continuar protegido do público. Mendonça informou que o material será encaminhado à Presidência e aos gabinetes dos integrantes da Corte.

A distinção cria dois níveis de acesso: internamente, os ministros poderão consultar o conjunto dos documentos encaminhados; externamente, apenas os procedimentos liberados por Mendonça estarão disponíveis ao público.

A abertura parcial acontece às vésperas da sessão extraordinária marcada por Fachin para terça-feira (15). O plenário deverá analisar os desdobramentos do relatório da Polícia Federal que revelou as mensagens entre Moraes e Vorcaro, além dos questionamentos apresentados pela PGR sobre a condução das investigações.

Assim, apesar da ampliação da publicidade sobre o caso Master, parte relevante das investigações permanece sob sigilo e Mendonça continua responsável por decidir, como relator, o que pode ser divulgado enquanto as apurações estiverem em andamento.