O caso Banco Master começa a abrir uma nova camada de investigação. Depois de avançar sobre executivos, advogados, autoridades e órgãos reguladores, o material reunido em torno do ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a alcançar também personagens centrais do Senado. Nos últimos dias, o presidente da Casa e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), e o senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição pelo estado, entraram no radar por caminhos diferentes.
No caso de Alcolumbre, mensagens encontradas no celular de Vorcaro e divulgadas pela revista Veja revelam uma relação de proximidade entre os dois. Segundo a publicação, são mais de 150 mensagens e registros, com manifestações de amizade e conversas mantidas inclusive em períodos em que o Master enfrentava questões de interesse direto, como a tentativa de venda da instituição ao BRB.
Alcolumbre reagiu afirmando que as mensagens de caráter pessoal “não indicam ilegalidade alguma”. Em nota, a Presidência do Senado classificou a reportagem como um “injusto ataque”, afirmou que o senador conhece a origem das acusações e anunciou medidas judiciais “para reparação dos danos causados” e “reposição da verdade”.
Para o criminalista Marcus Gusmão, o aparecimento de novos fatos pode alterar o rumo de uma investigação já em andamento. “Quando há uma investigação em curso, sempre há a possibilidade de que novos fatos possam levar a novas linhas de investigação, principalmente quando começam a trazer outros caminhos de apuração diferentes do caminho inicial”, afirma.
O ponto de virada, segundo o especialista, estará na eventual descoberta de elementos que ultrapassem o campo das relações pessoais ou políticas. “Caso sejam encontrados elementos como valores, vantagens indevidas, relações de influência indevidas ou até mesmo interesses escusos e que não guardem relação com o exercício legítimo dos poderes, podem levar à necessidade de apuração”, explica.
A situação de Alcolumbre ganha ainda uma dimensão institucional por ele ocupar a Presidência do Senado. Gusmão lembra que a própria Casa possui instrumentos para analisar condutas de seus integrantes. “O Senado Federal, como instituição, pode instaurar apurações sobre as condutas divulgadas, com o objetivo de zelar pela probidade, mas também para manter a força da instituição conforme prevê a Constituição Federal.”
Wagner
Jaques Wagner aparece em uma linha diferente. Vorcaro afirmou, em uma proposta de colaboração premiada, que um grupo político ligado ao senador na Bahia receberia cerca de R$ 3 milhões mensais em vantagens indevidas. A proposta foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por insuficiência de elementos de corroboração. Vorcaro declarou não ter presenciado o suposto acerto e atribuiu a informação ao ex-sócio Augusto Lima, que nega a acusação.
Outras frentes já são examinadas pela PF envolvendo o senador e pessoas próximas a ele. Documentos da investigação mencionaram negociações de imóvel e outros possíveis benefícios relacionados a pessoas ligadas ao Master. Jaques Wagner nega irregularidades.
Na sexta-feira (25), Jaques Wagner classificou as acusações como “completamente falsas e oportunistas” e “mentiras deslavadas”. Disse nunca ter mantido relação com Vorcaro e ressaltou que as informações divulgadas partiram de uma tentativa de colaboração que não foi aceita pela PF nem pela PGR.
Também citou episódios que, segundo ele, demonstram atuação contrária aos interesses do Master no Congresso, como a assinatura de pedido de criação da CPI do banco, a defesa de limites para juros e o voto contra a ampliação do limite do Fundo Garantidor de Créditos.
A partir de agora, o avanço dessa frente dependerá menos das menções e relatos já conhecidos e mais do que as investigações conseguirem encontrar para confirmar ou descartar o material. Na avaliação de Marcus Gusmão, somente elementos concretos sobre vantagens indevidas, influência irregular ou interesses incompatíveis com o exercício legítimo do mandato poderiam sustentar novos desdobramentos.
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