Política

Flávio aciona novamente TSE contra lives de Lula no Alvorada

Levantamento técnico aponta vasto uso irregular de IA em publicações sobre política

Flávio aciona novamente TSE contra lives de Lula no Alvorada
Justiça Eleitoral proibiu lives de Bolsonaro. Flávio quer o mesmo com Lula Crédito: Marcos Corrêa/PR

Faltando menos de 20 dias para o primeiro turno eleitoral, o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realize lives da sua campanha eleitoral no Palácio da Alvorada. O pedido foi protocolado pela equipe de Flávio na noite de segunda-feira (14) após Lula participar, na noite de domingo (13), de uma transmissão ao vivo com apoiadores para promover a própria candidatura à reeleição.

Esta não foi a primeira vez que o senador entrou com recursos na Justiça Eleitoral para impedir transmissões de Lula direto do Alvorada. Em 27 de agosto, ele encaminhou o primeiro pedido após Lula conceder uma entrevista à TV Record, direto da residência oficial da Presidência.

A equipe de Flávio Bolsonaro argumentou que, apesar de a legislação autorizar excepcionalmente o uso de residências oficiais para reuniões e contatos de campanha, essas atividades não podem assumir caráter de ato público. Eles ainda destacaram que, em 2022, o TSE proibiu que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) realizasse suas lives semanais no Palácio do Alvorada durante o período eleitoral. A medida valia para discursos destinados a promover sua então candidatura ou de terceiros, em que ele utilizasse de bens e serviços públicos “a que somente tem acesso em função de seu cargo de presidente da República”.

Procurada pela imprensa após a transmissão de Lula com aliados, a assessoria de campanha do presidente informou que a live utilizou “estritamente os equipamentos da campanha” presidencial do petista e reforçou que “o Palácio da Alvorada é a residência oficial do governo e espaço privado do Presidente Lula”.

IA

Ainda sobre as campanhas eleitorais, um levantamento técnico do Observatório IA nas Eleições, divulgado na segunda-feira (14), aponta que “entre janeiro e julho deste ano, um a cada dois casos de conteúdo de Inteligência Artificial (IA) não sinalizou a aplicação da tecnologia” em postagens nas redes sociais – o que é proibido pela Justiça Eleitoral.

O levantamento, desenvolvido pela Data Privacy Brasil e pelo Aláfia Lab, identificou 413 casos de uso de inteligência artificial em publicações de redes sociais relacionadas à política brasileira. Os dados foram coletados de 1º de janeiro e 15 de agosto. Dos 413 casos identificados nesse período, 260 (o equivalente a 63%), não apresentaram qualquer indicação de que o conteúdo havia sido gerado ou modificado por inteligência artificial.

Do total desse conteúdo referente à política brasileira produzida por IA, 281 eram vídeos, 124 eram imagens e oito áudios foram elaborados com auxílio da inteligência artificial. Além disso, 250 dos casos monitorados foram elaborados para fim de sátira política e 163 foram elaborados para disseminar desinformação, de acordo com o levantamento.

A maior parte do conteúdo identificado (64%) foi publicada por perfis ou páginas anônimas. Do restante, 13% das publicações foram elaboradas e divulgadas por partidos políticos (sendo oito casos publicados pelo PL, quatro pelo PT e dois pelo PSDB) e 22% das publicações sobre política nacional com IA foram publicados pelos próprios políticos. Dentre eles está Flávio Bolsonaro com 13 casos, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) com dez casos, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) com cinco publicações, o líder do PL na Câmara dos Deputados Sóstenes Cavalcante (RJ), com três publicações, mesmo número publicado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

O Observatório é um portal repositório de referências de estudos e monitoramentos voltados para pesquisadores e especialistas sobre uso de IA generativa para manipulação de informações que possam interferir nos processos eleitorais e na integridade da democracia.