O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a prisão de Daniel Vorcaro para atacar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e tentar afastar seu governo da crise envolvendo o Banco Master. Durante comício em Porto Alegre, Lula afirmou que o empresário se consolidou como banqueiro durante a gestão anterior e acabou preso durante seu atual mandato.
"Eles criaram um banqueiro chamado Vorcaro, em 2019. Na época deles, o bandido virou banqueiro. No meu mandato, ele virou prisioneiro porque foi o maior golpe da história desse país", declarou Lula na sexta-feira (11).
A cronologia mostra que Vorcaro adquiriu participação no então Banco Máxima em 2017 e assumiu o controle da instituição em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro. O banco adotou o nome Master em 2021 e, nos anos seguintes, registrou forte expansão de suas operações.
Vorcaro foi preso preventivamente em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Ele foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando se preparava para embarcar em um voo particular com destino a Malta. A PF sustenta que o ex-banqueiro teve conhecimento prévio da operação e tentava deixar o país. A defesa apresentou versão diferente e afirmou que a viagem tinha finalidade empresarial.
As investigações sobre o Master ganharam dimensão política depois da identificação de relações do empresário com autoridades, políticos e integrantes do Judiciário. Documentos da PF também revelaram contatos de Vorcaro com ministros do Supremo Tribunal Federal e abriram novas frentes de investigação.
Uma delas envolve Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial. O senador é investigado em procedimento relacionado ao financiamento de "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e operações financeiras envolvendo recursos enviados por Vorcaro para estruturas relacionadas ao projeto nos Estados Unidos. Flávio e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades.
No comício, Lula também associou ao governo Bolsonaro a origem das irregularidades envolvendo descontos indevidos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O presidente afirmou que integrantes dos esquemas enriqueceram durante a administração anterior e que as investigações avançaram durante seu governo.
A declaração ocorre em meio à estratégia do presidente de explorar eleitoralmente as conexões reveladas nas investigações do Master e, ao mesmo tempo, rebater tentativas de adversários de associar seu governo aos escândalos.
Neste sábado (12), em outro ato de campanha, Lula voltou ao caso Master e defendeu a divulgação das informações das investigações. O presidente também elevou o tom contra André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao banco no STF, e afirmou que os responsáveis por irregularidades serão expostos com a abertura dos dados.
O discurso ocorre no momento em que o caso Master se tornou um dos principais pontos de confronto da campanha presidencial e aprofundou uma crise institucional no Supremo, com investigações alcançando personagens ligados a diferentes grupos políticos.
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