Política

Eduardo Bolsonaro sugeriu repasse de dinheiro para Dark Horse a partir dos EUA

Em conversas obtidas pela PF, Eduardo Bolsonaro revela existência de "sistema" para envio de dinheiro do Brasil para os EUA

Eduardo Bolsonaro sugeriu repasse de dinheiro para Dark Horse a partir dos EUA
PF citou mensagens de Eduardo Bolsonaro em investigação sobre financiamento de Dark Horse Crédito: Reprodução/Redes sociais

Em mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro aparece sugerindo o envio de dinheiro para a produção a partir dos Estados Unidos. Em documento elaborado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-parlamentar afirma que a realização de pagamentos do filme a partir dos EUA seria mais “tranquilo” do que fazer os pagamentos do Brasil.

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, diz Eduardo Bolsonaro, nas mensagens.

O interlocutor de Eduardo Bolsonaro não foi citado no documento da PGR que autorizou a investigação sobre o financiamento transnacional do filme. No diálogo, o ex-deputado sugere a existência de um “sistema” pelo qual o dinheiro já vinha sendo enviado do Brasil para os EUA.

“Meu receio é que você seja solícito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, como o remetente atual e etc. Será que conseguimos? Nos dá amanhã um feedback desta sua reunião de hoje à noite, por favor? O Altieris Santana está à disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja", conclui a mensagem.

Citado por Eduardo, Altieris Santana foi apontado como diretor do Havengate Development Fund, fundo de investimento sediado no Texas (EUA) responsável por administrar os valores e repassá-los à produtora Go Up Entertainment.

A PF aponta indícios de que empresas foram utilizadas para operacionalizar repasses ilícitos para a produção cinematográfica. Em dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, uma minuta intitulada “Acordo de Financiamento de Produção 'Capitão do Povo'” (nome anterior do filme "Dark Horse"), prevendo investimento total de US$ 24 milhões em 14 parcelas.

As remessas internacionais, que somaram US$ 12,3 milhões em 2025, foram realizadas pela empresa Entre Investimentos, pertencente a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro". O empresário firmou um acordo de delação premiada com a PGR, homologado na quarta-feira (9) pelo ministro do STF André Mendonça.