O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas formalizou nesta segunda-feira (31) sua renúncia ao cargo. O pedido foi encaminhado por meio de ofício ao presidente da Corte, Vital do Rêgo Filho, e prevê que a exoneração tenha efeito a partir de 9 de setembro.
Em nota e vídeo divulgados nesta segunda, Dantas afirmou que decidiu deixar o tribunal para se dedicar a "novos projetos". Segundo ele, a decisão é pessoal, voluntária e foi amadurecida ao longo dos últimos meses.
Aos 48 anos, o ministro afirmou que encerra sua passagem pelo TCU com a convicção de que a rotatividade nos altos cargos públicos é positiva para as instituições.
"Encerro este ciclo com a serenidade de quem cumpriu, com lealdade e dedicação, todos os mandatos que me foram confiados. E com a convicção republicana de que a rotatividade nos altos cargos do país é uma virtude", afirmou.
A vaga ocupada por Bruno Dantas pertence à cota de indicação do Senado Federal. Com a saída, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), deverá articular a indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o cargo, segundo interlocutores.
Pacheco desistiu de disputar um cargo eletivo nas eleições de 2026. O senador chegou a ser cotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para concorrer ao governo de Minas Gerais, mas decidiu não aceitar.
Relação entre Alcolumbre, Lula e Pacheco
A possível indicação de Pacheco ao TCU ocorre após uma reaproximação entre Alcolumbre e Lula.
O presidente do Senado defendia que Pacheco fosse indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga aberta após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Lula, porém, escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, que acabou rejeitado pelo Senado.
A derrota do indicado do presidente provocou um afastamento entre Lula e Alcolumbre. Neste mês, porém, os dois voltaram a se aproximar.
O governo conta com o apoio do presidente do Senado para avançar em propostas consideradas prioritárias neste ano eleitoral, entre elas as propostas de emenda à Constituição (PECs) que tratam do fim da escala 6x1 e da Segurança Pública, além da medida provisória que acaba com a chamada "taxa das blusinhas".
Segundo aliados de Alcolumbre, o presidente do Senado aguardava apenas a formalização da saída de Bruno Dantas para iniciar as articulações em torno do nome de Rodrigo Pacheco.
Saída após quase três décadas no serviço público
Bruno Dantas chegou ao TCU por indicação do Senado, com apoio do MDB. Antes disso, construiu carreira no serviço público e na área acadêmica.
Em sua mensagem de despedida, afirmou que sua trajetória no setor público começou em 1998 e que foram quase três décadas dedicadas às instituições brasileiras.
"São quase três décadas devotadas integralmente ao serviço público, iniciadas em 1998. Foi nesse tempo que aprendi quase tudo o que sei sobre o Brasil, suas instituições e o que significa, na prática, servir", escreveu.
Dantas também destacou que presidiu o TCU em um período de grande projeção institucional e afirmou que decidiu buscar novos desafios profissionais.
"Sou, por temperamento, intelectualmente inquieto — sempre fui. E encontrei, nos projetos que pretendo abraçar, o feixe de motivação de que precisava", afirmou.
Segundo ele, os próximos projetos envolverão iniciativas de interesse nacional em áreas estratégicas, a continuidade da atividade acadêmica e a participação no debate público.
Semana de votações no Congresso
A saída de Bruno Dantas ocorre durante uma semana de esforço concentrado no Congresso Nacional, a última antes das eleições de 2026.
Embora o Congresso não esteja oficialmente em recesso, as atividades parlamentares diminuíram desde o início do período eleitoral. Nesta semana, deputados e senadores devem retomar as votações de projetos nas comissões e nos plenários.
Depois desse período, os parlamentares devem retornar a Brasília somente em novembro.
Entre as prioridades do governo está a PEC que prevê mudanças na jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. A proposta tramita no Senado e voltou a avançar após Alcolumbre retomar o diálogo com o Palácio do Planalto.
Em 21 de agosto, o presidente do Senado encaminhou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), depois de quase três meses de espera.
O governo tenta acelerar a tramitação para que a proposta seja analisada pela CCJ e pelo plenário ainda nesta segunda-feira (31). Alcolumbre, no entanto, não garantiu que as duas votações ocorrerão no mesmo dia.
A oposição também tenta impedir que a PEC seja votada antes das eleições. Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, trabalham para barrar a análise da proposta.
Nota de Bruno Dantas
Em sua despedida, Bruno Dantas agradeceu aos ministros do TCU, servidores, colaboradores, Senado Federal e familiares.
O ministro afirmou que deixa o cargo de forma voluntária e que a decisão foi tomada após conversar com a família.
"Esta também é, antes de tudo, uma decisão amadurecida com vocês", escreveu.
Dantas também agradeceu ao Senado, onde ingressou aos 25 anos como consultor legislativo após aprovação em concurso público.
"Foi ali que tudo começou", afirmou.
Ao concluir a mensagem, o ministro disse que pretende dedicar suas "melhores energias" à nova etapa profissional.
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