Política

Lula e Flávio não irão ao debate da Band neste domingo

Para analista, ambos têm medo de virar alvos dos adversários

Lula e Flávio não irão ao debate da Band neste domingo
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados tecnicamente no segundo turno, aponta levantamento BTG/Nexus. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Lula Marques/Agência Brasil

O primeiro debate presidencial para as eleições em outubro deste ano, agendado para este domingo (23) a partir das 20h no canal da Band, não deve contar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e nem tampouco com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com isso, a tendência é que a debate esteja esvaziado. Os púlpitos dos candidatos ficarão vazios. Além de Lula e Flávio Bolsonaro, foram convidados para o primeiro debate presidencial os ex-governadores de Goiás e Minas Gerais, respectivamente Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), e os candidatos Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).

Nos bastidores, aliados do presidente Lula alegam que ele ficou insatisfeito com a emissora pelo convite feito para Renan Santos e Romeu Zema porque ambos não eram obrigados a serem convidados para o debate. Isso porque a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) determina que as emissoras de rádio e televisão precisam convidar para os debates presidenciais candidatos de partidos políticos que tenham ao menos cinco representantes no Congresso Nacional. O cálculo é feito a partir das eleições de 2022.

O convite para candidatos de partidos menores ou federações que não tenham essa quantidade de representantes no Poder Legislativo (sem contar agenda partidária) fica a critério da organização do evento. E, se contar o início da 57ª legislatura do Congresso Nacional em fevereiro de 2023, o partido Novo só tinha três representantes na Câmara dos Deputados e o senador Eduardo Girão (ES). Já o partido Missão foi fundado em 2025, originado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), e portanto, não tinha nenhum representante no poder Legislativo no início deste mandato.

Alvo

Ao Correio da Manhã, o professor de Relações Internacionais do Ibmec-BH Adriano Cerqueira explicou que, durante o período de campanha para o primeiro turno eleitoral, não é incomum a ausência do candidato que está na frente das pesquisas eleitorais. “Isso porque quem está na frente é o mais popular e, se ele vai no debate, ele vai chamar a audiência. Só que, por estar na frente, ele vai ser alvo dos demais candidatos que também vão querer participar do debate e ganhar em cima dele. Então o risco de perder votos indo no debate é real. Já a possibilidade de perder votos por não ter ido, sob alguma justificativa, não é tão clara assim”, ele detalhou.

Diante disso, Lula optou por não participar dos primeiros debates presidenciais por ser um dos únicos candidatos de esquerda e centro-esquerda e por ser estar à frente das pesquisas de intenção de voto. E por orientação de sua equipe, Flávio definiu que somente irá aos debates em que Lula comparecer.

“Flávio Bolsonaro poderia ir, só que ele estaria em uma situação de substituto do Lula como mais popular, já que ele está quase empatado. E aí ele chamaria atenção e seria alvo de ataques de quase todos os demais participantes”, completou Cerqueira.

Questionado pela reportagem, Adriano considerou que existe a possibilidade dos demais presidenciáveis que participarão do debate da Band tentarem alavancar suas candidaturas. Contudo, as chances para grandes mudanças no cenário eleitoral de 2026 são muito baixas. “Há uma cristalização nas tendências de voto, a esquerda para o Lula e a direita para o Flávio Bolsonaro. Vai ser muito difícil, neste momento, quebrar essa cristalização”, completou.