Faltando menos de dois meses para o primeiro turno das eleições gerais deste ano, os candidatos estão escolhendo suas fotos oficiais que aparecerão nas urnas eletrônicas para seus eleitores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu uma foto em que ele aparece usando um chapéu panamá. Contudo, a escolha da foto com um adereço levantou preocupações de aliados do presidente para possíveis problemas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Desde que retirou um câncer de pele na cabeça, em abril deste ano, e iniciou seu tratamento, Lula tem aparecido publicamente com um chapéu panamá para evitar sol no local do procedimento, por recomendação médica.
A legislação eleitoral não permite elementos cênicos e adornos “com conotação de propaganda eleitoral e que induzam ou dificultem o reconhecimento do candidato pelo eleitorado”.
Contudo, em 2022, o TSE aceitou um recurso feito pelo então candidato a deputado federal por São Paulo Douglas Belchior (PT) que solicitou que pudesse usar um boné em sua foto na urna eletrônica. Diante disso, a campanha eleitoral de Lula usará este precedente como argumento, caso o TSE venha a questionar o chapéu de Lula.
Ao Correio da Manhã, o consultor de marketing político e eleitoral Deividi Lira explicou que o uso de adereços não necessariamente implica que a foto será considerada irregular.
“As regras eleitorais para 2026 estão preocupadas, principalmente, com a correta identificação do candidato e com elementos que possam ter caráter de propaganda ou dificultar seu reconhecimento. Juridicamente, não se deve partir da premissa de que um adereço torna automaticamente a foto irregular, até porque o registro da candidatura e da fotografia ainda está sujeito à análise da Justiça Eleitoral, e um eventual questionamento precisaria avaliar concretamente se aquele elemento viola os requisitos da fotografia”, detalhou Deividi.
Para a reportagem, Lira reiterou que “na política, um adereço deixa de ser apenas um adereço quando passa a gerar reconhecimento”.
“Se o eleitor olha para o chapéu Panamá e imediatamente associar aquela imagem a Lula, a campanha pode transformar uma necessidade pessoal em um ativo de identidade visual”, avaliou Lira. “O desafio para o marqueteiro da campanha será fazer com que o chapéu seja percebido como parte natural de sua imagem atual, e não como um elemento artificialmente incorporado à corrida eleitoral”, ele completou.
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