Política

Vorcaro tenta nova delação enquanto caso Master avança

Nova investigação apura irregularidades do Master que somam R$ 97 milhões da previdência municipal em Alagoas

Vorcaro tenta nova delação enquanto caso Master avança
André Mendonça autorizou investigação sobre repasses de Vorcaro para financiamento de filme sobre Bolsonaro Crédito: Agência STF/Redes sociais

Enquanto a defesa de Daniel Vorcaro prepara uma terceira tentativa de acordo de delação premiada, as investigações sobre o Banco Master continuam abrindo novas frentes. Desta vez, a apuração chegou a Maceió e mira a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos da capital alagoana (Iprev/Maceió) em títulos emitidos pelo banco.

Os recursos foram aplicados em duas operações. A primeira, de R$ 80 milhões, ocorreu em dezembro de 2023. Outros R$ 17 milhões foram investidos em maio de 2024. A Polícia Federal (PF) investiga se houve direcionamento das aplicações e falhas no processo que levou o dinheiro dos servidores municipais aos ativos do Master.

Segundo a investigação, os títulos tinham risco elevado e liquidez reduzida. A PF aponta ainda que, em 2023, a própria política de investimentos do Iprev previa exposição zero a ativos de emissão bancária. No ano seguinte, o limite era de 5%, mas a concentração teria chegado perto de 20% dos recursos do regime previdenciário.

Nova frente

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou buscas contra seis investigados, além das sedes do próprio Iprev e da consultoria Crédito & Mercado de Valores Mobiliários.

A apuração mira suspeitas de gestão fraudulenta e também possíveis crimes de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os pontos que despertaram a atenção dos investigadores estão a falta de estudos independentes sobre os investimentos, justificativas consideradas genéricas e dúvidas sobre o próprio credenciamento do Master para receber os recursos.

A PF afirma ainda que, quando ocorreu a aplicação de R$ 80 milhões, em dezembro de 2023, o Master não aparecia na lista do Ministério da Previdência de instituições aptas a receber recursos de regimes próprios de previdência. A inclusão teria ocorrido apenas posteriormente.

A investigação também colocou sob análise o papel da Crédito & Mercado, empresa contratada para prestar consultoria ao Iprev. A suspeita é de que a companhia possa ter participado de etapas importantes do credenciamento e da montagem dos documentos usados para justificar os investimentos. Os investigadores querem esclarecer se a atuação foi apenas de assessoria ou se houve participação no eventual direcionamento de recursos ao Master.

Mendonça também autorizou bloqueio de bens de seis investigados até o limite global de R$ 97 milhões, valor equivalente às aplicações sob suspeita. Já o pedido da PF para afastar investigados de cargos e funções públicas foi negado, por falta de elementos concretos de que a permanência deles nas posições atuais pudesse interferir na investigação.

Delação

A nova ofensiva ocorre justamente quando Vorcaro tenta reconstruir sua estratégia de defesa. O banqueiro contratou o escritório Bialski Advogados Associados, que passa a atuar ao lado do criminalista Sérgio Leonardo. A nova equipe pretende se reunir com André Mendonça e avaliar uma retomada das negociações para uma colaboração premiada.

Será a terceira tentativa. As duas anteriores não avançaram diante da avaliação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que as propostas traziam poucas novidades e não entregavam provas suficientes. Agora, a expectativa é de que uma eventual nova oferta apresente mais nomes e elementos capazes de acrescentar fatos ainda não conhecidos pelos investigadores.

O desafio aumentou. À medida que a investigação avança por diferentes estados e negócios ligados ao Master, diminui também o espaço para que Vorcaro ofereça como novidade informações que a PF já conseguiu alcançar por outros caminhos.