Polícia Federal

Superintendentes da PF defendem Andrei Rodrigues em meio à tensão com gabinete de André Mendonça

Superintendentes regionais reafirmam autonomia da Polícia Federal em meio à tensão com o gabinete do ministro André Mendonça sobre a condução de investigações

Superintendentes da PF defendem Andrei Rodrigues em meio à tensão com gabinete de André Mendonça
Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram, nesta quinta-feira (6), uma nota conjunta em defesa do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. No documento, os dirigentes reafirmam o compromisso da instituição com a Constituição, a legalidade e o Estado Democrático de Direito, além de destacarem a autonomia técnica da PF na condução de investigações.

A manifestação ocorre em um momento de tensão institucional entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão de divergências relacionadas à condução de inquéritos considerados sensíveis.

Superintendentes destacam atuação técnica da Polícia Federal

Na nota, os chefes das superintendências regionais afirmam que a credibilidade da Polícia Federal foi construída com base na atuação técnica e independente de seus servidores, ressaltando que as investigações são conduzidas exclusivamente com fundamento nas provas e nos mecanismos de controle previstos na legislação.

Segundo o documento, a atividade investigativa da corporação não deve estar sujeita a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas sim ao estrito cumprimento da lei.

Os dirigentes também manifestam confiança na gestão de Andrei Rodrigues à frente da Polícia Federal e reforçam o compromisso da instituição com a defesa do Estado Democrático de Direito.

Divergências envolvem condução de investigações

A crise entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça ganhou força durante a condução de investigações relacionadas ao chamado "caso INSS" e se intensificou após a PF solicitar a abertura de novas frentes de investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

As apurações buscam esclarecer suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas a contratos envolvendo a Dataprev e o Ministério da Saúde.

Segundo informações divulgadas, integrantes da equipe do ministro suspeitam que informações sigilosas sobre investigações em andamento estariam sendo compartilhadas com o Palácio do Planalto. A Polícia Federal nega qualquer irregularidade e afirma que todos os procedimentos seguem critérios estritamente técnicos.

PF questiona restrições impostas por gabinete do STF

Entre os pontos de divergência está a decisão do gabinete de André Mendonça de determinar que policiais responsáveis por determinadas investigações não repassem informações diretamente ao diretor-geral da corporação.

A Polícia Federal considera que essa medida interfere na estrutura administrativa da instituição e compromete a gestão das investigações. Diante desse entendimento, a corporação acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para analisar a legalidade das restrições impostas.

No manifesto divulgado nesta quinta-feira, os superintendentes também afirmam que críticas públicas fazem parte do ambiente democrático, mas alertam que ataques destinados a enfraquecer a credibilidade das instituições podem comprometer a confiança da sociedade nos órgãos públicos.

O documento é assinado pelos responsáveis pelas 27 superintendências regionais da Polícia Federal.

Lula comenta investigação envolvendo o filho

Em meio ao avanço das investigações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter conversado pessoalmente com o filho, Fábio Luís Lula da Silva, após o nome dele ser citado durante os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Segundo o presidente, ele orientou o filho a esclarecer os fatos e afirmou que, caso tenha cometido alguma irregularidade, deverá responder pelos próprios atos. Ao mesmo tempo, disse que, se for inocente, deve exercer plenamente seu direito de defesa.

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, a posição do governo é de que qualquer pessoa eventualmente envolvida em ilícitos deve ser responsabilizada, independentemente de vínculos familiares, e que, até o momento, não foram identificados indícios de favorecimento a Lulinha dentro da estrutura do governo federal.