Tarifaço dos EUA

Lula articula conversa com Trump em meio à crise entre Brasil e EUA

Palácio do Planalto trabalha para viabilizar ligação entre os presidentes na próxima semana, enquanto aumenta a tensão diplomática entre os dois países

Lula articula conversa com Trump em meio à crise entre Brasil e EUA
Lula e Trump quando se encontraram em Kuala Lumpur Crédito: Ricardo Stuckert/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha para conversar por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países. A expectativa no Palácio do Planalto é de que o contato possa ocorrer já na próxima semana, embora a data ainda não tenha sido definida.

Segundo interlocutores do governo, as tratativas para viabilizar a conversa estão em andamento, mas a equipe presidencial ainda não iniciou a preparação dos temas que poderão ser discutidos caso a ligação seja confirmada.

A iniciativa faz parte da estratégia do governo brasileiro de manter um canal direto de diálogo com a Casa Branca em momentos de maior desgaste nas relações bilaterais.

Conversa ocorre em cenário de tensão diplomática

A possível ligação acontece em um momento de forte deterioração das relações entre Brasília e Washington.

Nas últimas semanas, o governo dos Estados Unidos anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. Além disso, Washington revogou o visto diplomático da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, ampliando o clima de tensão entre os dois governos.

Segundo a administração norte-americana, a medida foi motivada pela demora do governo brasileiro em conceder o agrément — autorização diplomática necessária para a nomeação de embaixadores — ao indicado dos Estados Unidos para chefiar a missão em Brasília, Daniel Perez.

Outro motivo apontado foi a negativa do Brasil em conceder visto a dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano.

Planalto vê escalada de medidas hostis

Em resposta, o governo brasileiro afirmou que a indicação do novo embaixador dos Estados Unidos continua em análise pelos canais diplomáticos competentes.

O Palácio do Planalto também justificou a negativa dos vistos aos representantes norte-americanos, alegando que a missão teria como objetivo discutir questões relacionadas ao processo eleitoral brasileiro.

Em nota oficial, o governo classificou as medidas adotadas pelos Estados Unidos como parte de uma "escalada deliberada de ações hostis" contra o Brasil e afirmou identificar uma tentativa de interferência em assuntos internos do país.

Lula critica decisão dos Estados Unidos

Ao comentar o episódio durante entrevista concedida a podcasts, Lula classificou como desnecessária a decisão de revogar o visto da embaixadora brasileira.

O presidente afirmou que a medida representa uma atitude incompatível com a longa tradição diplomática existente entre Brasil e Estados Unidos e defendeu a preservação do diálogo entre os dois países, apesar das divergências recentes.

Presidente também quer discutir conflitos internacionais

Na mesma entrevista, Lula afirmou que pretende aproveitar o contato com Donald Trump para discutir temas relacionados ao cenário internacional, especialmente os conflitos armados em diferentes regiões do mundo.

Segundo o presidente, ele já conversou recentemente com o presidente da China, Xi Jinping, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendendo uma atuação mais ativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A intenção, de acordo com Lula, é ampliar o diálogo entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU em busca de iniciativas voltadas à redução das tensões internacionais.

Caso a conversa com Trump seja confirmada, será o primeiro contato direto entre os dois líderes desde o início da atual crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, marcada por disputas comerciais e divergências políticas.