O senador Weverton Rocha (PDT-MA) voltou ao centro da Operação Sem Desconto. A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) uma nova fase da investigação para apurar um suposto esquema de lavagem de dinheiro usado para ocultar recursos provenientes das fraudes em descontos ilegais sobre aposentadorias e pensões do INSS.
Se a etapa anterior buscava identificar os beneficiários do esquema, agora a apuração tenta esclarecer como os valores teriam sido ocultados e incorporados ao patrimônio do parlamentar e de pessoas próximas.
Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão contra familiares de Weverton, empresas e pessoas ligadas ao advogado e empresário Willer Tomaz.
Segundo a PF, desde 2023 o grupo teria utilizado empresas interpostas, sociedades patrimoniais, contas de terceiros, postos de combustíveis, dinheiro em espécie e ativos registrados em nome de outras pessoas para ocultar a origem e a titularidade dos recursos. A hipótese foi acolhida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Combustíveis
Um dos principais eixos da investigação envolve uma rede de postos de combustíveis. De acordo com a PF, as contas dessas empresas eram usadas para comprar propriedades rurais, terrenos e maquinário agrícola, além de abastecer empresas que disponibilizariam recursos ao senador. Os investigadores afirmam que a filha de Weverton administrava financeiramente os postos.
A PF também investiga o transporte de dinheiro em espécie destinado ao senador e seus familiares, prática que teria acompanhado a reorganização patrimonial do grupo. Uma máquina de contar dinheiro foi apreendida na residência de um dos alvos.
Outro foco da investigação é a residência utilizada por Weverton no Lago Sul, em Brasília. Segundo a PF, o imóvel, avaliado em cerca de R$ 6 milhões, foi comprado por Willer Tomaz, embora o verdadeiro beneficiário econômico fosse o senador. Para os investigadores, a diferença entre o proprietário formal e o beneficiário do bem é um dos principais indícios do suposto esquema de lavagem de dinheiro. A utilização de uma aeronave pertencente ao advogado também integra a apuração.
Segunda vez
Esta é a segunda vez que Weverton aparece na Operação Sem Desconto. Em dezembro de 2025, o senador foi alvo de busca e apreensão após a PF apontá-lo como beneficiário de recursos desviados do INSS e "liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras" de Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS". A nova fase busca rastrear o destino desses recursos.
Em nota, Weverton afirmou que, embora não tenha sido alvo direto da operação, esperava sofrer ataques por causa de sua candidatura ao Senado e de suas posições políticas. Disse que todas as movimentações decorrem de atividades declaradas à Receita Federal, destacou que o Ministério Público Federal voltou a se manifestar contra as buscas envolvendo familiares e apoiadores, negou irregularidades e afirmou que seguirá "firme no propósito de lutar pelo Maranhão".
Também em nota, Willer Tomaz afirmou que a busca ocorreu apenas por ser proprietário da aeronave utilizada por Weverton em uma viagem particular. O advogado disse que não é investigado na Operação Sem Desconto, negou vínculo com as fraudes no INSS e declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
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