O Partido Republicanos oficializou, nesta terça-feira (4), uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi aprovada durante convenção nacional realizada em Brasília e representa um revés para a estratégia do PL, que buscava o apoio da legenda para fortalecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), a decisão foi construída após consulta às executivas estaduais do partido e levou em consideração as diferentes alianças políticas estabelecidas nos estados.
De acordo com o dirigente, 17 dos 27 diretórios estaduais defenderam a neutralidade na eleição presidencial. Outros nove manifestaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto um diretório declarou preferência pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Decisão amplia isolamento de Flávio Bolsonaro
A posição do Republicanos ocorre poucos dias depois de a federação União Brasil-Progressistas também optar por não declarar apoio formal a nenhum candidato ao Palácio do Planalto.
Com isso, a campanha de Flávio Bolsonaro perde mais um potencial aliado nacional e segue sem definir o nome que ocupará a vaga de vice em sua chapa.
Na noite de segunda-feira (3), Marcos Pereira já havia comunicado a decisão ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, encerrando as negociações entre as duas legendas.
Diretórios estaduais terão liberdade
Apesar da neutralidade nacional, o Republicanos informou que os diretórios estaduais continuarão livres para estabelecer alianças conforme a realidade política de cada estado.
Em São Paulo, por exemplo, lideranças da sigla já demonstraram apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, mesmo sem uma coligação formal entre Republicanos e PL.
Nos bastidores, a discussão refletia divergências internas. Enquanto dirigentes das regiões Sul e Sudeste defendiam uma aproximação com o PL, lideranças do Nordeste e parte da cúpula nacional trabalhavam pela manutenção da independência.
Entre os defensores da neutralidade estavam o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
Partido diz que decisão preserva unidade
Em nota oficial, o Republicanos afirmou que a independência na disputa presidencial não representa ausência de posicionamento político, mas uma estratégia para preservar a unidade partidária e respeitar a autonomia das lideranças regionais.
Segundo a legenda, o crescimento nacional do partido tornou necessário considerar as diferentes realidades políticas existentes nos estados.
O Republicanos também reafirmou compromisso com pautas como responsabilidade fiscal, fortalecimento das instituições, segurança jurídica, defesa da democracia, desenvolvimento econômico e ampliação de sua representação no Congresso Nacional.
A sigla destacou que sua prioridade nas eleições será aumentar as bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, fortalecendo sua influência nas decisões legislativas.
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