Correio da Manhã
Política

Lula diz que Brasil vencerá EUA e China com ciência, não com guerra

Presidente afirma que país deve investir em pesquisa para competir com grandes potências e diz que disputará a reeleição sem apresentar novas promessas

Lula diz que Brasil vencerá EUA e China com ciência, não com guerra
Declaração foi feita durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (28), que o Brasil não deve buscar confronto com os Estados Unidos ou a China, defendendo que o fortalecimento do país passa pelo investimento em educação, pesquisa e desenvolvimento científico. A declaração foi feita durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Niterói, no Rio de Janeiro.

Ao abordar o cenário internacional, Lula disse que não pretende enfrentar as grandes potências em disputas militares ou econômicas. Segundo o presidente, o caminho para ampliar a competitividade brasileira está na produção de conhecimento e no avanço tecnológico.

"Eu não tenho os aviões, os tanques, as bombas e o dinheiro que eles têm", afirmou, ao defender que o Brasil deve investir em ciência para ampliar sua capacidade de desenvolvimento.

Lula diz que campanha será baseada no histórico do governo

Durante o evento, o presidente também comentou a disputa eleitoral de 2026. Lula afirmou que não pretende fazer novas promessas durante a campanha à reeleição e sustentou que seu histórico de governo será o principal argumento apresentado aos eleitores.

Segundo ele, a população deverá avaliar os resultados alcançados ao longo da atual gestão, em vez de propostas futuras.

Alckmin critica declarações de Milei

Também nesta terça-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) comentou as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, feitas durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Alckmin classificou as manifestações do líder argentino como "lamentáveis" e afirmou que Milei prejudica os próprios interesses da Argentina ao interferir em assuntos internos do Brasil.

Apesar do desgaste diplomático, o vice-presidente ressaltou que o Mercosul permanece fortalecido e destacou os recentes avanços do bloco em negociações comerciais internacionais, como os acordos firmados com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), além das tratativas em andamento com a Coreia do Sul.

Declarações de Milei ampliaram tensão diplomática

A crise entre Brasil e Argentina ganhou força após Javier Milei declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro durante evento partidário em São Paulo. Na ocasião, o presidente argentino afirmou confiar no senador para "deter o lixo socialista" e também fez ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

As declarações provocaram reação do governo brasileiro. O Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil para prestar esclarecimentos sobre o episódio.

Enquanto isso, o jornal argentino La Nación informou que a Casa Rosada não pretende apresentar pedido formal de desculpas ao governo brasileiro, indicando que o impasse diplomático deve continuar nos próximos dias.