A associação de discursos de líderes políticos de direita, mais próximos do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, com a disseminação de conteúdos de desconfiança sobre o sistema eletrônico de votação nas redes sociais. Essa é a preocupação do governo Lula de avanço de um quadro que possa interferir no ambiente da corrida eleitoral brasileira.
No sábado (24), o presidente da Argentina, Javier Milei, participou da convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “presidiário”, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), chamado por ele de “lixo careca”. Antes, numa conversa com embaixadores, Flávio Bolsonaro repetiu o discurso de desconfiança com as urnas eletrônicas que seu pai, Jair Bolsonaro, fizera na campanha de 2022 e que depois lhe valeu uma condenação de inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Retirada em tempo
O que o governo teme é que tais conteúdos se espalhem de forma massiva pelas redes sociais, e que haja ajuda de outros governos nessa ação, e que a Justiça Eleitoral não tenha o tempo adequado de retirar postagens que tragam informações falsas com a velocidade necessária.
E, nesse sentido, conforme apurou o Correio da Manhã, teme-se a própria ação ou, pelo menos, inação das big techs que controlam as redes sociais. Na posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 2025, os donos das principais empresas que controlam as redes sociais estiveram presentes em lugar de destaque. Estiveram no Capitólio na posse Mark Zukemberg, dono da Meta (que controla Facebook, WhatsApp e Instagram); Jeff Bezos (dono da Amazon) e Elon Musk (proprietário do X). Musk depois chegou a ser integrante do governo Trump, mas acabou rompendo com ele.
As big techs já se manifestaram mais de uma vez no sentido de considerar que ações brasileiras, especialmente na Justiça, impedem a liberdade de expressão. Assim, o temor é que elas venham a permitir que esses conteúdos se disseminem antes de tomar atitudes para coibi-los. E a Justiça Eleitoral não tenha a velocidade necessária para atuar.
Milei
Além disso, há a preocupação mesmo com a participação de políticos interessados no resultado eleitoral. Nesse sentido, PT, PV e PCdoB, partidos que formam federação partidária aliada a Lula, ingressaram com uma ação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) questionando a participação de Milei na convenção do PL. Os partidos questionam até que ponto o ato de apoio a um candidato, com as críticas que foram feitas, fere a soberania nacional.
Os partidos também pedem informações sobre o custo da viagem de Milei. Querem saber quem bancou deslocamento e hospedagem, se foi utilizado dinheiro da campanha do PL com essa finalidade.
Enquanto atuam os partidos aliados, a estratégia do próprio Lula é evitar maiores críticas e declarações. Perguntado na segunda-feira sobre as críticas de Javier Milei, Lula ironizou: “Quem é esse cara?”
Já Milei depois voltou a fazer críticas a Lula numa entrevista a uma rádio argentina. Novamente chamando o presidente brasileiro de “presidiário”. Nas redes sociais, disse ainda que chamar Lula de “ladrão” é “dar o nome certo às coisas”. Parlamentares argentinos manifestaram-se contra e a favor das declarações.
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