As convenções partidárias realizadas no fim de semana mudaram o ritmo da política em Brasília. Depois de meses de articulações de bastidores, a corrida pelo Palácio do Planalto entrou oficialmente em uma nova fase. Com a confirmação de candidaturas, a definição de chapas e os primeiros discursos voltados ao eleitorado, a campanha eleitoral passa a concentrar as atenções dos Três Poderes e deve pautar os próximos dias, enquanto partidos concluem suas estratégias antes do prazo final de homologação, em 5 de agosto.
Neste sábado (25), o PL oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. No mesmo dia, em Campinas (SP), o PT confirmou o ex-ministro Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo, tendo Márcio França (PSB) como vice. Já no domingo (26), o PSD lançou, em São Paulo, a chapa formada por Ronaldo Caiado, para presidente eo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, para vice.
A sequência de convenções continua ao longo desta semana. Nesta segunda-feira (27), o Novo oficializa a candidatura presidencial do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, em evento marcado para Brasília. Na quarta-feira (29), será a vez de o PSB realizar sua convenção nacional, também na capital federal, para confirmar a coligação com o PT e oficializar Geraldo Alckmin como candidato à vice-presidência na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encerramento desse ciclo para os petistas, ocorrerá no próximo domingo (2), quando o PT realizará, em São Paulo, sua convenção nacional para homologar a candidatura de Lula à reeleição.
Em Campinas, Haddad direcionou as críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao questionar indicadores nas áreas de segurança, saúde e educação e atacar as privatizações promovidas pelo governo paulista. Lula, por sua vez, afirmou que a disputa deste ano deverá ser marcada pelo uso da inteligência artificial para disseminação de desinformação nas redes sociais e pediu atenção ao tema durante a campanha.
Tarifaço
Paralelamente ao avanço das convenções, o Palácio do Planalto mantém outra frente de atuação: a resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros.
Neste domingo (26), Lula publicou um artigo no jornal americano The Washington Post em que classificou as novas tarifas adotadas pelo governo de Donald Trump como "um erro estratégico". No texto, o presidente afirma que a medida tem motivação política, lembra que Trump citou Jair Bolsonaro ao anunciar o primeiro tarifaço e defende que a relação entre os dois países seja conduzida por meio do diálogo e do respeito à soberania.
Lula também argumenta que as restrições comerciais prejudicam não apenas a economia brasileira, mas também empresas e consumidores norte-americanos, ao elevar o custo de insumos utilizados pela indústria dos EUA. Ao mesmo tempo, sustenta que o Brasil continuará buscando negociações, sem renunciar aos mecanismos de reciprocidade previstos pela legislação brasileira.
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