O presidente Lula disse nesta sexta-feira (17) aguardar um posicionamento de Donald Trump sobre a imposição da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor no dia 22. Lula afirmou que os Estados Unidos “não vão enganar o Brasil”, referindo-se aos argumentos usados pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) para a aplicação da medida.
Em evento do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio de Janeiro, o presidente insinuou que as alegações do USTR teriam sido apenas um pretexto para a implementação do tarifaço e que somente deverá se pronunciar sobre o tema quando o presidente dos EUA, Donald Trump, se manifestar.
“Eu falei para caramba e não falei do tarifaço. Não vou falar, porque a notícia tem que ser o SUS [Sistema Único de Saúde], a notícia tem que ser as nossas carretas, a notícia tem que ser o tratamento das mulheres. Por isso, vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei”, disse Lula.
“Porque nós vamos mostrar que, contra o Brasil, ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira. [...] Esse país precisa estar de cabeça erguida, porque esse país não aceita que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Queremos respeito da mesma forma que damos respeito para todo mundo”, afirmou.
Impacto
De acordo com dados do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, o tarifaço vai afetar 18% do total de exportações de produtos brasileiros para os EUA, o que representa um total de US$ 7,4 bilhões na balança comercial entre as duas nações.
“Queria destacar que nós vamos ter cerca de 18% das nossas exportações para os Estados Unidos atingidas, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões. Isso levando em conta o ano de 2024, antes, portanto, do início do tarifaço”, disse o ministro Márcio Elias Rosa, em pronunciamento após reunião com o presidente Lula, na quinta-feira (16).
Nesta sexta-feira, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos serão atingidas pela tarifa de 25%.
A lista de produtos isentos da cobrança adicional, de acordo com a entidade, reduziu o impacto no segmento. As exceções, como afirmou a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, seriam resultado da interlocução do setor junto ao governo norte-americano.
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