O Distrito Federal recebe, entre os dias 18 e 25 de julho, uma programação voltada à valorização da participação das mulheres na capoeira e na cultura popular.
O projeto Mulheres Fortes promove encontros gratuitos com a Mestra Arara, do Rio de Janeiro, no sábado (18) e no domingo (19), e com a Mestra Lilu, da Bahia, no próximo sábado (25). As atividades serão realizadas na Associação Cultural Arena Capoeira, no Riacho Fundo I, e integram as ações do Julho das Pretas, mobilização nacional em referência ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
As vivências são abertas ao público e têm como foco o compartilhamento de conhecimentos relacionados à capoeira, à cultura popular e às experiências das mulheres dentro dessa manifestação cultural. Embora a iniciativa tenha como público prioritário as mulheres, os encontros também podem ser frequentados por integrantes da comunidade em geral. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas por meio de formulário eletrônico disponibilizado pela organização.
Saberes
A programação reúne duas mestras que construíram trajetórias na capoeira brasileira e atuarão em atividades voltadas ao intercâmbio de saberes entre diferentes gerações. Os encontros incluem rodas de conversa, vivências e momentos de prática da capoeira, com abordagens relacionadas à memória, à transmissão de conhecimentos, à musicalidade e à dimensão cultural da manifestação.
O projeto Mulheres Fortes foi estruturado para ampliar os espaços de participação feminina na capoeira e incentivar a circulação de conhecimentos produzidos por mulheres que atuam na preservação e difusão dessa expressão cultural. A proposta também busca fortalecer redes de colaboração entre praticantes, mestres, mestras, grupos culturais e a comunidade.
Invisibilização
Historicamente, a presença das mulheres na capoeira esteve submetida a processos de invisibilização, apesar da participação feminina na formação e no desenvolvimento dessa prática ao longo do tempo. Nos últimos anos, iniciativas conduzidas por coletivos, grupos e organizações culturais têm ampliado o debate sobre igualdade de participação, reconhecimento de trajetórias e ocupação de espaços de liderança por mulheres dentro da capoeira.
Nesse contexto, a realização das vivências com Mestra Arara e Mestra Lilu integra uma agenda que relaciona a prática da capoeira às discussões sobre patrimônio cultural, identidade, memória e direitos das mulheres negras. Além das atividades práticas, os encontros também buscam estimular o diálogo sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na preservação da cultura popular e na ocupação de espaços historicamente marcados pela predominância masculina.
Julho das Pretas
A programação faz parte das atividades do Julho das Pretas, mobilização realizada em diferentes estados brasileiros durante o mês de julho. A iniciativa reúne movimentos sociais, coletivos e organizações que promovem debates, atividades culturais, encontros comunitários e ações voltadas à valorização da identidade negra e ao enfrentamento do racismo e das desigualdades de gênero.
Neste ano, a campanha nacional tem como tema "Escrevivências do Bem Viver" e presta homenagem à escritora Conceição Evaristo. A escolha destaca a contribuição da autora para a literatura brasileira e para a produção intelectual voltada às experiências da população negra, especialmente das mulheres negras.
O Julho das Pretas é organizado em referência ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. A data foi instituída em 1992 durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado na República Dominicana. Desde então, tornou-se um marco para ações voltadas ao enfrentamento do racismo, do sexismo e de outras formas de discriminação que atingem mulheres negras em diversos países da América Latina e do Caribe.
No Brasil, a mesma data também homenageia Tereza de Benguela, liderança quilombola do século XVIII que comandou o Quilombo do Quariterê, localizado na região correspondente ao atual estado de Mato Grosso. A atuação de Tereza de Benguela passou a integrar o calendário nacional de memória e reconhecimento da contribuição das mulheres negras para a história do país.
Ao inserir as vivências de capoeira na programação do Julho das Pretas, o projeto Mulheres Fortes estabelece uma articulação entre a prática cultural e as discussões sobre identidade, ancestralidade, memória e participação social. A iniciativa utiliza a capoeira como espaço de transmissão de conhecimentos, convivência entre gerações e fortalecimento das redes de mulheres que atuam na preservação dessa manifestação cultural. As atividades serão realizadas na Associação Cultural Arena Capoeira, no Riacho Fundo I, nos dias 18, 19 e 25 de julho. A participação é gratuita e aberta ao público mediante inscrição prévia por formulário eletrônico disponibilizado pela organização do projeto.
Menu