Em pronunciamento feito nesta quinta-feira (16), o chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, apontou “motivações políticas” para a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, confirmada pelos EUA na véspera. O chefe do Itamaraty afirmou ainda que a medida seria uma “tentativa de interferência política dos EUA no Judiciário brasileiro”.
“As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico com autoridades norte-americanas”, disse o ministro.
De acordo com Vieira, a ameaça de imposição de tarifas foi relacionada ainda em 2025 ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, na carta enviada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao presidente Lula.
“Foi justamente nessa carta que o presidente Trump ameaçou o Brasil com tarifas de 50%, caso o processo contra o ex-presidente da República não fosse imediatamente interrompido. Foi nesta carta que foi dada a instrução ao representante de comércio dos Estados Unidos para que iniciasse a investigação sobre a Seção 301 contra o Brasil. Este texto encontra-se na carta que foi enviada ao presidente Lula, disse o chanceler.
“Desde o primeiro momento, o presidente Lula buscou o diálogo e demonstrou disposição para negociar qualquer tema”, disse Vieira. Para o ministro, a tarifa foi uma forma de retaliação dos EUA pelo fato de o Brasil não ter aceitado as demandas políticas apresentadas por Trump, nem as condições consideradas “irrazoáveis”, como a abertura total e exclusiva de setores da economia nacional aos interesses americanos.
O ministro criticou ainda as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que teria se referido a Lula “de forma grosseira”. Segundo Vieira, o chanceler manteve contato com Rubio e com o chefe do USTR, Jamieson Greer, por 11 vezes durante as negociações sobre o tarifaço, que envolveram mais de 30 reuniões com representantes norte-americanos.
O pronunciamento do ministro aconteceu após reunião com Lula no Palácio do Planalto, da qual participaram também os ministros da Fazenda, Dario Durigan, da Casa Civil, Miriam Belchior, e da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Márcio Elias Rosa. No anúncio da nova tarifa, o USTR apresentou uma extensa relação de itens que ficarão isentos da cobrança, como petróleo, café e carne bovina. A medida passa a valer a partir de 22 de julho.
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