O silêncio do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre as investigações envolvendo o presidente do PP, Ciro Nogueira, no Caso Master, e o pré-candidato ao Senado pelo União Brasil no Rio de Janeiro, Márcio Canella, reduziu as chances de apoio dos dois partidos à candidatura do senador à Presidência da República.
A tendência, de acordo com lideranças partidárias, é de que a federação formada por PP e União mantenha a neutralidade nas eleições presidenciais e autorize as direções estaduais a formarem alianças de sua preferência.
O PP esperava um posicionamento de Flávio Bolsonaro em defesa do senador Ciro Nogueira, investigado por ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O parlamentar é apontado como beneficiário de viagens, apartamentos e pagamentos mensais por parte de Vorcaro para atuar em defesa de interesses do Master no Congresso.
O banqueiro teria participado da elaboração de uma emenda de autoria de Nogueira que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que multiplicaria por quatro o prejuízo causado pelas fraudes financeiras cometidas pelo Banco Master.
Flávio Bolsonaro, no entanto, ignorou as acusações a Ciro Nogueira. Ele próprio foi citado nas investigações pelos contatos com Daniel Vorcaro para financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a história política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Unha e Carne
No caso do União Brasil, o incômodo do presidente do partido se refere à prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, aliado de Flávio Bolsonaro e apontado como pré-candidato ao Senado. Canella foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira (8), na 6ª fase da Operação Unha e Carne, depois que um fuzil foi encontrado em seu carro. A operação apura a utilização de postos de combustíveis do Rio de Janeiro para lavagem de dinheiro do crime organizado.
A direção do União Brasil esperava uma manifestação pública de Flávio Bolsonaro em defesa do ex-prefeito, o que acabou não acontecendo. O silêncio incomodou o presidente do União, Antonio Rueda.
O desgaste aumenta a distância entre Flávio e a Federação PP-União, que deixou o governo Lula ainda em setembro com a intenção de firmar alianças para a disputa presidencial. Às vésperas das convenções partidárias, que acontecem a partir do dia 20 de julho, a federação não definiu candidato e deverá liberar as comitivas estaduais.
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