Lula telefona para Jaques Wagner e pede explicações sobre ação da PF

Em telefonema para Jaques Wagner, Lula cobrou esclarecimentos e incentivou o senador a se defender das acusações da PF

Por Petrônio Viana

Jaques Wagner foi apontado pela PF como beneficiário de dinheiro e vantagens indevidas concedidas por Daniel Vorcaro

O presidente Lula telefonou para o líder do governo do Senado, Jaques Wagner, para pedir explicações sobre a operação da Polícia Federal (PF), realizada nesta quinta-feira (18), que apontou o senador como beneficiário de dinheiro e vantagens indevidas concedidas pelo ex-controlador do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro.

No contato, Lula teria incentivado Wagner a se defender das acusações. Em resposta, o senador manifestou sua intenção de prestar depoimento à PF sobre sua relação com o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, dono do Banco Pleno e também alvo da operação desta quinta-feira.

De acordo com a PF, Wagner é suspeito de atuar em favor da chamada PEC Master, proposta pelo senador Ciro Nogueira, que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Caso fosse aprovada, a PEC teria multiplicado por quatro o prejuízo causado pelas fraudes financeiras praticadas pelo Master.

Valter Campanato/ABR - Lula telefonou para Jaques Wagner para pedir explicações sobre operação da PF

Segundo a PF, Wagner também teria se envolvido na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Em mensagem enviada por Augusto Lima ao senador em março de 2025, o empresário disse que “você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso”.

O relatório enviado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF) para justificar o cumprimento dos mandados de busca e apreensão afirma que o senador teria sido beneficiado com repasses que somaram R$ 3,5 milhões, além de um apartamento de luxo em Salvador (BA) avaliado em R$ 2,4 milhões.

Outras vantagens apontadas pela PF incluem a disponibilização de aeronaves de propriedade de Vorcaro para voos feitos por Wagner e ingressos para shows da cantora Taylor Swift, em Los Angeles, para a família do senador, comprados pela empresa REAG Investimentos S.A. por R$ 63,3 mil.

Posicionamento

Após a deflagração da operação, Jaques Wagner usou a tribuna do Senado para se posicionar sobre as investigações. Em seu pronunciamento, o petista classificou como um “erro” a aprovação da lei que regulamentou a delação premiada como recurso de investigação da PF.

“Nós, acho, cometemos um erro, o Congresso Nacional. A lei de delação premiada, que foi aprovada ainda no tempo da Presidenta Dilma, admitiu a delação premiada com as pessoas sob coação, com as pessoas presas. Na verdade, foi com essa delação, sob coação psicológica, ou real, que se arrancou um número infindável de acusações que levaram o atual Presidente, ex-Presidente Lula à cadeia”, lembrou Wagner.

“O instituto da colaboração é para alguém que esteja em liberdade e resolva colaborar para evitar que seja eventualmente preso. Para alguém que está preso, que tipo de coação tem? Vai voltar para a Papuda? Não vai voltar para a Papuda?”, disse o senador.

Jaques Wagner afirmou ainda que está “à vontade” com as investigações da PF e negou qualquer relação com Daniel Vorcaro. “Eu estou muito à vontade porque não tenho nenhuma relação com [Daniel Vorcaro]. Conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF - eu não tenho CNPJ”, asseverou.