Diretor da PF diz que medida dos EUA contra CV e PCC não muda estratégia

Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, afirma que Brasil e EUA deveriam debater prisão de foragidos da Justiça brasileira em solo norte-americano

Por Petrônio Viana

Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, defende prisão de foragidos da Justiça brasileira escondidos nos EUA

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas não vai alterar a estratégia brasileira de enfrentamento às facções criminosas. O delegado avaliou a medida como um “equívoco” do governo de Donald Trump.

“As organizações terroristas têm motivos ideológicos, motivos religiosos, objetivos diferentes daquele do crime organizado que, em que pese aterrorizar as pessoas, busca o lucro. E essa definição [como terroristas] é um equívoco, porque a estratégia de enfrentamento é diferente para um grupo e para outro grupo. Então, nós não podemos confundir essas iniciativas”, disse Rodrigues, em entrevista à TV Globo.

“Há questões técnicas que precisam ser colocadas mas, ao mesmo tempo, tornar muito claro que para nós essa definição que os Estados Unidos atribui às organizações criminosas em nada altera o vigor e a firmeza que nós vamos seguir atuando contra o crime organizado. É motivação distinta, é objetivo distinto”, afirmou o diretor-geral da PF.

A classificação do CV e do PCC foi anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA no dia 28 de maio e entrou em vigor nesta sexta-feira (5).

“Na prática, essa decisão de um outro país soberano não tem nenhuma influência, não tem o condão de mudar as políticas públicas brasileiras. A nossa maneira de enfrentar o crime organizado é baseada na integração, na descapitalização dessas organizações criminosas e na prisão de lideranças”, sustentou o delegado.

Foragidos brasileiros

Para Andrei Rodrigues, Brasil e Estados Unidos deveriam debater a fiscalização sobre o envio de armas dos EUA para o Brasil e a prisão de foragidos da Justiça brasileira que se encontram em solo norte-americano.

“Eu penso que isso se torna uma oportunidade de ampliarmos a cooperação, de termos mais troca de informações, bloqueio do envio de armas para o Brasil, prisão de foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos. Aqueles países que quiserem verdadeiramente enfrentar o crime organizado e cooperar terão na Polícia Federal e no nosso país um grande parceiro”, disse Rodrigues.

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