O Partido Social Democrata (PSD) lança, nesta quarta-feira (1º), uma chapa puro sangue para disputar o Palácio do Planalto, com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como pré-candidato à presidência e o presidente do partido, Gilberto Kassab, como o vice. Em conversa com a imprensa nesta terça-feira (30), Caiado disse que seu vice tem que ser “alguém que acrescente, e não uma pessoa que seja figurativa”.
“No momento em que a população enxerga uma chapa já construída e apresentando o que deveria apresentar, que são os temas do nosso plano de governo, as pessoas vão vendo que não estamos fazendo um projeto político na base do achismo”, disse Caiado.
A chapa do PSD não está oficializada na Justiça Eleitoral, já que o período das convenções partidárias e registro de candidaturas para cada cargo ocorrerá entre 20 de julho a 5 de agosto, segundo o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Mas o nome de Caiado não tem demonstrado a mesma força eleitoral em relação seus principais concorrentes: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com o último levantamento a pesquisa BTG Nexus divulgada nesta semana, o goiano contabiliza 5% das intenções de votos em um eventual primeiro turno.
Negociação
Ao Correio da Manhã, o cientista político Isaac Jordão considera que essa chapa puro sangue do PSD não tem a força necessária para vencer a corrida presidencial. Contudo, ele avaliou que a chapa é uma forma de Gilberto Kassab mostrar que o partido está aberto para negociação.
“Uma chapa pura para a Presidência da República não é uma estratégia viável, porque mesmo partidos aliados que normalmente já vão entrar na sua base querem ser parte da composição do governo. Então, você sempre tem um processo de institucionalização para um candidato da base que é de outro partido”, explicou Jordão.
“Eles estão construindo uma chapa pura porque o PSD tem voto, o PSD tem ganhos eleitorais para compartilhar. Algo como: ‘o nosso projeto está bem sedimentado, a gente não depende de procurar vocês, vocês precisam vir procurar a gente’. E quanto mais eles [PSD] vão colocando isso, mais o preço dele vai subindo. Quanto mais ele [o partido] demonstra essa segurança, mais o preço dele sobe”, avaliou o cientista político, reiterando que a estratégia vale tanto em um eventual pedido de apoio de Flávio Bolsonaro, quanto para uma possível reeleição de Lula.
O cientista político ainda ponderou que “a máquina do PSD pode ser o fiel da balança que vai entregar a eleição”. Isso porque, segundo as últimas pesquisas eleitorais, cerca de 30% da população ainda está indecisa sobre em quem devem votar nas eleições, devido à alta taxa de rejeição entre Lula e entre Flávio. “O partido tem uma máquina importante e relevante para, para quem quer que seja o próximo governo”, ele destacou.
Atualmente, o governo federal tem três ministros do PSD na Esplanada: o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula. A bancada do PSD na Câmara dos Deputados é formada por 48 parlamentares.
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