Correio da Manhã
Política

Eventual saída de Wagner abre disputa pela liderança do governo

Pressionado pela investigação da PF, líder do governo deve discutir permanência no cargo em reunião com Lula nesta quarta-feira

Eventual saída de Wagner abre disputa pela liderança do governo
Jaques Wagner deve ter reunião com Lula nesta quarta Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

A expectativa de que Jaques Wagner (PT-BA) deixe a liderança do governo no Senado ganhou força nos bastidores de Brasília e já desencadeou uma nova movimentação dentro do Palácio do Planalto: a busca por um substituto capaz de assumir uma das funções mais estratégicas da articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A definição deve avançar nesta quarta-feira (24), quando o senador tem previsão de se reunir com Lula. Antes disso, Wagner também deve conversar com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem apoiado publicamente o líder petista, desde a operação da Polícia Federal (PF).

Embora o senador continue negando irregularidades e ainda não tenha anunciado qualquer decisão oficial, integrantes da cúpula petista e auxiliares do governo já tratam a saída como o cenário mais provável. A avaliação é de que a permanência de Wagner ampliaria o desgaste político provocado pela operação da PF que o colocou entre os alvos da investigação sobre o caso Banco Master.

Nos bastidores, interlocutores relatam que o próprio Lula foi informado nos últimos dias de que o senador teria se convencido da necessidade de deixar o posto. O argumento apresentado por aliados é que o afastamento ajudaria a reduzir a pressão sobre o governo e permitiria que Wagner concentrasse esforços na própria defesa.

Desgaste

A crise ganhou uma nova dimensão após a divulgação dos detalhes da investigação. Segundo a Polícia Federal, Wagner teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master no Congresso Nacional e, em contrapartida, recebido vantagens econômicas que incluiriam um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e repasses de aproximadamente R$ 3,5 milhões por meio de empresas ligadas ao núcleo familiar do senador.

Durante a operação, agentes também apreenderam US$ 55 mil e 33 mil euros em espécie, montante próximo de meio milhão de reais.

A defesa contesta todas as acusações. Os advogados afirmam que os valores encontrados possuem origem lícita, provenientes de diárias recebidas em missões oficiais e da compra regular de moeda estrangeira. Também sustentam que Wagner jamais atuou para favorecer o Banco Master e que se posicionou contra propostas que poderiam beneficiar a instituição.

Mesmo assim, a avaliação dentro do governo é que o impacto político da operação ultrapassou o campo jurídico. Integrantes do Planalto relatam que um dos fatores que mais contribuíram para o desgaste foi a repercussão das imagens do dinheiro apreendido e das suspeitas envolvendo um apartamento de alto padrão em Salvador.

Outro episódio que provocou incômodo ocorreu após Wagner revelar, em entrevista, que Lula havia telefonado para prestar solidariedade. A declaração foi interpretada por integrantes do governo como um movimento que acabou levando o presidente para o centro de uma crise que o Planalto tenta manter restrita ao senador.

Sucessão

Com a possível saída de Wagner, a atenção se volta para quem assumirá a liderança do governo no Senado. Nos bastidores, dois nomes aparecem com mais frequência: os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE).

Camilo é visto por parte do PT como um nome capaz de manter interlocução direta com Lula e também com Davi Alcolumbre. Além disso, construiu espaço de influência dentro do governo durante a passagem pelo Ministério da Educação. O principal obstáculo é que o senador tem repetido a aliados que sua prioridade está voltada para a articulação política no Ceará e para a campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT-CE).

Teresa Leitão surge como alternativa com apoio crescente dentro da bancada petista. A senadora é considerada uma opção mais viável caso Camilo decida permanecer concentrado nas disputas eleitorais de 2026.

A discussão sobre a sucessão ocorre em um momento em que o governo também enfrenta questionamentos sobre sua capacidade de articulação no Senado. Nos últimos meses, derrotas importantes e dificuldades para avançar em pautas estratégicas alimentaram críticas à coordenação política da base governista. A derrota mais recente foi a rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF, considerada uma das principais apostas de Lula, mas, que não prosperou e a conta sobrou para a cúpula do presidente no Senado, incluindo, Jaques Wagner.