A expectativa de que Jaques Wagner (PT-BA) deixe a liderança do governo no Senado ganhou força nos bastidores de Brasília e já desencadeou uma nova movimentação dentro do Palácio do Planalto: a busca por um substituto capaz de assumir uma das funções mais estratégicas da articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A definição deve avançar nesta quarta-feira (24), quando o senador tem previsão de se reunir com Lula. Antes disso, Wagner também deve conversar com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem apoiado publicamente o líder petista, desde a operação da Polícia Federal (PF).
Embora o senador continue negando irregularidades e ainda não tenha anunciado qualquer decisão oficial, integrantes da cúpula petista e auxiliares do governo já tratam a saída como o cenário mais provável. A avaliação é de que a permanência de Wagner ampliaria o desgaste político provocado pela operação da PF que o colocou entre os alvos da investigação sobre o caso Banco Master.
Nos bastidores, interlocutores relatam que o próprio Lula foi informado nos últimos dias de que o senador teria se convencido da necessidade de deixar o posto. O argumento apresentado por aliados é que o afastamento ajudaria a reduzir a pressão sobre o governo e permitiria que Wagner concentrasse esforços na própria defesa.
Desgaste
A crise ganhou uma nova dimensão após a divulgação dos detalhes da investigação. Segundo a Polícia Federal, Wagner teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master no Congresso Nacional e, em contrapartida, recebido vantagens econômicas que incluiriam um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e repasses de aproximadamente R$ 3,5 milhões por meio de empresas ligadas ao núcleo familiar do senador.
Durante a operação, agentes também apreenderam US$ 55 mil e 33 mil euros em espécie, montante próximo de meio milhão de reais.
A defesa contesta todas as acusações. Os advogados afirmam que os valores encontrados possuem origem lícita, provenientes de diárias recebidas em missões oficiais e da compra regular de moeda estrangeira. Também sustentam que Wagner jamais atuou para favorecer o Banco Master e que se posicionou contra propostas que poderiam beneficiar a instituição.
Mesmo assim, a avaliação dentro do governo é que o impacto político da operação ultrapassou o campo jurídico. Integrantes do Planalto relatam que um dos fatores que mais contribuíram para o desgaste foi a repercussão das imagens do dinheiro apreendido e das suspeitas envolvendo um apartamento de alto padrão em Salvador.
Outro episódio que provocou incômodo ocorreu após Wagner revelar, em entrevista, que Lula havia telefonado para prestar solidariedade. A declaração foi interpretada por integrantes do governo como um movimento que acabou levando o presidente para o centro de uma crise que o Planalto tenta manter restrita ao senador.
Sucessão
Com a possível saída de Wagner, a atenção se volta para quem assumirá a liderança do governo no Senado. Nos bastidores, dois nomes aparecem com mais frequência: os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE).
Camilo é visto por parte do PT como um nome capaz de manter interlocução direta com Lula e também com Davi Alcolumbre. Além disso, construiu espaço de influência dentro do governo durante a passagem pelo Ministério da Educação. O principal obstáculo é que o senador tem repetido a aliados que sua prioridade está voltada para a articulação política no Ceará e para a campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT-CE).
Teresa Leitão surge como alternativa com apoio crescente dentro da bancada petista. A senadora é considerada uma opção mais viável caso Camilo decida permanecer concentrado nas disputas eleitorais de 2026.
A discussão sobre a sucessão ocorre em um momento em que o governo também enfrenta questionamentos sobre sua capacidade de articulação no Senado. Nos últimos meses, derrotas importantes e dificuldades para avançar em pautas estratégicas alimentaram críticas à coordenação política da base governista. A derrota mais recente foi a rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF, considerada uma das principais apostas de Lula, mas, que não prosperou e a conta sobrou para a cúpula do presidente no Senado, incluindo, Jaques Wagner.
Menu