Correio da Manhã
Política

STM avalia se mantém ex‑piloto de Lula

Tribunal avalia se brigadeiro Joseli pode participar do julgamento de Bolsonaro

STM avalia se mantém ex‑piloto de Lula
Joseli foi o comandante do avião presidencial de Lula Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O plenário do Superior Tribunal Militar (STM) julga, nesta quarta-feira (24), um recurso da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acerca dos julgamentos que podem levar à perda da sua patente do capitão, após a condenação do Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Segundo os advogados de Bolsonaro, o vice-presidente do STM, ministro tenente-brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo, não está apto e não tem condições de participar do julgamento do caso com imparcialidade devido a seu histórico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Francisco Parente Camelo foi o comandante do avião presidencial durante o primeiro e segundo mandatos de Lula, assim como no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Como ele atuou como piloto responsável pela aeronave presidencial por 12 anos, a defesa do ex-presidente alega que isso o tornaria parcial no julgamento. A presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, negou o pedido liminarmente e manifestou que não impactaria o julgamento do caso. Agora, o restante do plenário julgará o recurso, e a tendência é que mantenha o entendimento de Maria Elizabeth.

Questionada pelo Correio da Manhã, a assessoria do Superior Tribunal Militar informou que o julgamento desta quarta-feira é técnico, sem mérito do processo. Além disso, caso a Corte acate o recurso apresentado pelo ex-presidente e defina pelo afastamento do tenente-brigadeiro do ar do caso, o processo se dará com um ministro a menos, pois não há ministro substituto na Corte.

Relembre

Em fevereiro, o STM recebeu uma denúncia do Ministério Público Militar (MPM) determinando a perda do posto e da patente de Jair Bolsonaro (PL), capitão da reserva do Exército, e outros quatro militares condenados pelo STF por integrarem o grupo principal do plano de tentativa de golpe de Estado. São eles: o general da reserva Walter Souza Braga Netto, o almirante da reserva Almir Garnier Santos, o general da reserva Paulo Sérgio Nogueira e o general Augusto Heleno Ribeiro. Vale destacar que o Tribunal não reexamina as condenações criminais já transitadas em julgado, apenas avalia se as condutas praticadas são compatíveis com o decoro exigido para que enverguem suas fardas e mantenham as suas patentes.

O STM explicou que os ministros relatores de cada processo estão na fase de análise para preparação dos seus votos. Até o momento, nenhum ministro e nenhum revisor apresentou seus votos, tampouco há um prazo definido para os relatores. Diante disso, considerando que os processos no STM levam em média de seis meses a nove meses a tendência é que os julgamentos dos cinco militares que serão julgado na Suprema Corte Militar ocorram ao final do segundo semestre deste ano.

O relator do processo de Jair Bolsonaro será o ministro Carlos Vuyk de Aquino e a revisora do caso é a ministra Verônica Abdalla Sterman. Ela também será a relatora do processo contra Almir Garnier. O julgamento de Paulo Sérgio Nogueira será relatado pelo ministro José Barroso Filho e será revisado pelo ministro Flávio Marcus Lancia Barbosa. O ministro Lancia também relatará o processo contra Braga Netto. Finalmente, o processo contra Augusto Heleno será relatado pelo ministro Celso Luiz Nazaré e será revisado por Péricles Aurélio Lima de Queiroz.

Após cada relator finalizar seu processo, o revisor analisará se concorda ou discorda da decisão do magistrado. Em seguida, o caso seguirá para julgamento com os 14 ministros do Tribunal. A presidente do STM não participará dos julgamentos, somente exceto em possíveis casos de desempate.