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Fundo Eleitoral 2026: PL lidera repasses com R$ 881,6 milhões

Partido de Flávio Bolsonaro triplicou recursos em relação a 2022; PT aparece em segundo lugar e seis siglas concentrarão 65% do Fundo Eleitoral

Fundo Eleitoral 2026: PL lidera repasses com R$ 881,6 milhões
Urna eletrônica, modelo 2022 Crédito: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

O Partido Liberal (PL) será o principal beneficiário do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, nas eleições de 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a legenda receberá R$ 881,6 milhões, o equivalente a 17,7% dos R$ 4,96 bilhões destinados ao financiamento público das campanhas eleitorais.

O valor representa um crescimento expressivo em comparação com as eleições de 2022, quando o partido recebeu R$ 268,1 milhões. Com isso, o PL triplicou sua participação na distribuição do Fundo Eleitoral e se consolidou como a sigla com maior volume de recursos para o próximo pleito.

PT recebe mais de R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral

Na segunda posição aparece o Partido dos Trabalhadores (PT), que terá acesso a R$ 615,3 milhões, cerca de 12,4% do total disponível. O montante é 23% superior aos R$ 499,6 milhões recebidos pela legenda na eleição presidencial de 2022.

Também figuram entre os maiores beneficiários do Fundo Eleitoral 2026:

  • União Brasil: R$ 526,2 milhões;
  • PSD: R$ 421 milhões;
  • PP: R$ 417 milhões;
  • MDB: R$ 400 milhões.

Juntos, PL, PT, União Brasil, PSD, PP e MDB concentrarão aproximadamente 65% de todos os recursos públicos destinados às campanhas eleitorais do próximo ano.

Como funciona a distribuição do Fundo Eleitoral

Criado em 2017 após a proibição das doações empresariais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Fundo Eleitoral passou a ser a principal fonte pública de financiamento das campanhas no Brasil.

A divisão dos recursos entre os partidos segue critérios definidos pela legislação eleitoral. Do valor total:

  • 2% são distribuídos igualmente entre todas as legendas registradas;
  • 35% são divididos conforme a votação para a Câmara dos Deputados;
  • 48% levam em conta o número de deputados federais eleitos;
  • 15% consideram a representação dos partidos no Senado Federal.

Esse modelo favorece partidos com maior representação no Congresso Nacional, que passam a receber parcelas maiores do fundo a cada eleição.

Por que o PL terá a maior fatia do Fundo Eleitoral?

O aumento dos recursos destinados ao PL está diretamente relacionado ao desempenho eleitoral da legenda nas eleições anteriores e ao tamanho de sua bancada na Câmara dos Deputados.

Como a maior parte da distribuição considera votos obtidos e parlamentares eleitos, partidos com maior força política acumulam uma participação crescente nos recursos públicos destinados às campanhas.

Especialistas em Direito Eleitoral apontam que o modelo fortalece as grandes legendas, permitindo maior investimento em estrutura partidária, viagens, comunicação e mobilização de eleitores durante o período eleitoral.

Partidos perderam espaço na divisão dos recursos

Apesar de o valor total do Fundo Eleitoral ter sido mantido em R$ 4,96 bilhões, diversas legendas perderam participação percentual na distribuição dos recursos entre 2022 e 2026.

Entre os partidos que registraram redução estão:

  • PV;
  • Mobiliza;
  • Solidariedade;
  • PCdoB;
  • União Brasil;
  • Cidadania;
  • PDT;
  • PSB;
  • Rede;
  • PSDB;
  • Novo;
  • Democracia Cristã (DC);
  • Agir.

O caso mais significativo foi o do Agir, que perdeu representação parlamentar e passou a receber apenas a parcela correspondente aos 2% distribuídos igualmente entre todos os partidos registrados no TSE.

Fusões e incorporações mudaram cenário partidário

As mudanças no quadro partidário brasileiro também influenciaram a distribuição do Fundo Eleitoral 2026. Desde as últimas eleições, algumas legendas deixaram de existir após fusões ou incorporações.

Entre as principais alterações estão:

  • PTB e Patriota se fundiram e deram origem ao PRD;
  • PROS foi incorporado ao Solidariedade;
  • PSC foi incorporado ao Podemos.

Além disso, o PMB passou a se chamar Democrata, enquanto o PMN adotou o nome Mobiliza.

As transformações alteraram a composição das bancadas no Congresso e contribuíram para a redistribuição dos recursos públicos entre as legendas que disputarão as eleições de 2026.