O Partido Liberal (PL) será o principal beneficiário do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, nas eleições de 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a legenda receberá R$ 881,6 milhões, o equivalente a 17,7% dos R$ 4,96 bilhões destinados ao financiamento público das campanhas eleitorais.
O valor representa um crescimento expressivo em comparação com as eleições de 2022, quando o partido recebeu R$ 268,1 milhões. Com isso, o PL triplicou sua participação na distribuição do Fundo Eleitoral e se consolidou como a sigla com maior volume de recursos para o próximo pleito.
PT recebe mais de R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral
Na segunda posição aparece o Partido dos Trabalhadores (PT), que terá acesso a R$ 615,3 milhões, cerca de 12,4% do total disponível. O montante é 23% superior aos R$ 499,6 milhões recebidos pela legenda na eleição presidencial de 2022.
Também figuram entre os maiores beneficiários do Fundo Eleitoral 2026:
- União Brasil: R$ 526,2 milhões;
- PSD: R$ 421 milhões;
- PP: R$ 417 milhões;
- MDB: R$ 400 milhões.
Juntos, PL, PT, União Brasil, PSD, PP e MDB concentrarão aproximadamente 65% de todos os recursos públicos destinados às campanhas eleitorais do próximo ano.
Como funciona a distribuição do Fundo Eleitoral
Criado em 2017 após a proibição das doações empresariais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Fundo Eleitoral passou a ser a principal fonte pública de financiamento das campanhas no Brasil.
A divisão dos recursos entre os partidos segue critérios definidos pela legislação eleitoral. Do valor total:
- 2% são distribuídos igualmente entre todas as legendas registradas;
- 35% são divididos conforme a votação para a Câmara dos Deputados;
- 48% levam em conta o número de deputados federais eleitos;
- 15% consideram a representação dos partidos no Senado Federal.
Esse modelo favorece partidos com maior representação no Congresso Nacional, que passam a receber parcelas maiores do fundo a cada eleição.
Por que o PL terá a maior fatia do Fundo Eleitoral?
O aumento dos recursos destinados ao PL está diretamente relacionado ao desempenho eleitoral da legenda nas eleições anteriores e ao tamanho de sua bancada na Câmara dos Deputados.
Como a maior parte da distribuição considera votos obtidos e parlamentares eleitos, partidos com maior força política acumulam uma participação crescente nos recursos públicos destinados às campanhas.
Especialistas em Direito Eleitoral apontam que o modelo fortalece as grandes legendas, permitindo maior investimento em estrutura partidária, viagens, comunicação e mobilização de eleitores durante o período eleitoral.
Partidos perderam espaço na divisão dos recursos
Apesar de o valor total do Fundo Eleitoral ter sido mantido em R$ 4,96 bilhões, diversas legendas perderam participação percentual na distribuição dos recursos entre 2022 e 2026.
Entre os partidos que registraram redução estão:
- PV;
- Mobiliza;
- Solidariedade;
- PCdoB;
- União Brasil;
- Cidadania;
- PDT;
- PSB;
- Rede;
- PSDB;
- Novo;
- Democracia Cristã (DC);
- Agir.
O caso mais significativo foi o do Agir, que perdeu representação parlamentar e passou a receber apenas a parcela correspondente aos 2% distribuídos igualmente entre todos os partidos registrados no TSE.
Fusões e incorporações mudaram cenário partidário
As mudanças no quadro partidário brasileiro também influenciaram a distribuição do Fundo Eleitoral 2026. Desde as últimas eleições, algumas legendas deixaram de existir após fusões ou incorporações.
Entre as principais alterações estão:
- PTB e Patriota se fundiram e deram origem ao PRD;
- PROS foi incorporado ao Solidariedade;
- PSC foi incorporado ao Podemos.
Além disso, o PMB passou a se chamar Democrata, enquanto o PMN adotou o nome Mobiliza.
As transformações alteraram a composição das bancadas no Congresso e contribuíram para a redistribuição dos recursos públicos entre as legendas que disputarão as eleições de 2026.
Menu