Correio da Manhã
Política

Nunes Marques quer usar julgamento para balizar pesquisas

Decisão foi adiada por pedido de vista da ministra Estela Aranha. Liminar segue em vigor até retorno da pauta na Corte

Nunes Marques quer usar julgamento para balizar pesquisas
Nunes Marques quer estabelecer padrão para as pesquisas Crédito: Antonio Augusto/TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou a votação da decisão monocrática do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu a pesquisa de intenção de votos do Instituto AtlasIntel de maio.

Em sessão no plenário da Corte na noite desta terça-feira (9), a ministra Estela Aranha pediu vista do caso (mais tempo para análise). Enquanto a Corte não definir um resultado final, a liminar que suspendeu a divulgação do levantamento segue em vigor.

Apesar de não ter uma data definida para retomar o julgamento, Nunes Marques enfatizou na sessão que os ministros devem voltar com a pauta o quanto antes, já que o caso abre margem para outros debates semelhantes, inclusive com institutos de pesquisa. A intenção do presidente do TSE é utilizar o julgamento para balizar futuras pesquisas, estabelecendo o que a Corte Eleitoral aceitará ou não. “Aprofundaremos nossos estudos para que eles possam colaborar para que se tenha um padrão [sobre as pesquisas]”, disse Kassio.

“Indução”

Nesta segunda-feira (8), o presidente do TSE atendeu a um pedido do Partido Liberal (PL) e determinou a suspensão da pesquisa da AtlasIntel divulgada em 19 de maio que registrou uma queda de cinco pontos percentuais do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após o vazamento de conversas entre o senador e o dono o Banco Master, Daniel Vorcaro, que se comprometeu a pagar R$ 134 milhões para financiar o filme autobiográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “Dark Horse”.

A equipe do senador da República e o PL alegam que as perguntas elaboradas pelo questionário e o fato de ser apresentado aos pesquisados o áudio da conversa de Flávio com Vorcaro induziram os 5.032 entrevistados a ter uma percepção negativa sobre o candidato, como questionamentos referentes a um “esquema de fraudes financeiras”, o que foi acatado por Nunes Marques.

A decisão preliminar do presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda determina que o instituto de pesquisa apresente nesta quarta-feira (10), dois dias após a publicação da decisão, a “documentação técnica complementar diretamente relacionada aos pontos controvertidos da presente impugnação, especialmente no que se refere ao componente audiovisual referido na pergunta n. 48 e aos registros técnicos de aplicação do questionário impugnado”, referente ao áudio entre Flávio e Vorcaro.

A pesquisa ouviu os eleitores entrevistados por meio do método Atlas RDR (Random Digital Recruitment ou Recrutamento Digital Aleatório), um sistema pelo qual os pesquisados são alcançados enquanto navegam pela internet e convidados a participar.

Na decisão preliminar de Nunes Marques, o magistrado avaliou que existem “elementos minimamente consistentes” que indicam possível comprometimento da neutralidade metodológica da pesquisa. “A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, defendeu o magistrado.

Em nota divulgada para a imprensa nesta segunda-feira, a AtlasIntel informou que respeitará a decisão do presidente do TSE, mas negou qualquer viés político partidário na elaboração das perguntas e da metodologia.

O instituto ainda reiterou que os áudios entre Flávio e Vorcaro somente foram apresentados aos entrevistados após os eleitores responderem aos questionamentos.

“Após o encerramento definitivo do questionário – sem qualquer possibilidade de retornar às perguntas anteriores ou alterar respostas já registradas – os participantes eram redirecionados para uma página completamente separada do questionário, onde eram convidados a registrar suas reações enquanto ouviam o áudio por meio da ferramenta Atlas VRC”, informou a AtlasIntel.