A ida de Lula à reunião do G7, grupo que reúne as sete maiores economias do mundo, pode colocar o presidente brasileiro cara a cara com Donald Trump após o anúncio de novas tarifas, de 25% e 12,5%, sobre produtos comprados pelos Estados Unidos. A decisão foi anunciada durante a reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (3), que serviu para alinhar o discurso do governo sobre a taxação.
“Eu nem ia no G7, mas agora eu vou [...] É preciso alguém colocar ordem na casa e dar um paradeiro nesse desmonte do multilateralismo”, disse Lula. O encontro do G7 acontece entre os dias 15 e 17 deste mês, em Évian-les-Bains, na França.
“O que é importante vocês saberem é que estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, e até parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país. A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo. A nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil essa semana”, afirmou o presidente, depois de fazer novas críticas ao secretário de Estado norte-americano Marco Rubio e associar os EUA ao golpe militar de 1964.
Na segunda-feira (1º), o Departamento do Comércio dos EUA anunciou a taxação de 25% sobre produtos brasileiros sob o argumento de que práticas e omissões do governo e da economia brasileira, como o Pix e a falta de efetividade no combate à corrupção, “oneram ou restringem” as relações comerciais entre os dois países.
Na noite de terça-feira (2), o governo de Donald Trump propôs uma nova tarifa, de 12,5%, a 60 países que teriam negligenciado medidas de combate ao comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado, incluindo o Brasil.
“Interesses mesquinhos”
Durante a reunião ministerial, Lula cobrou um posicionamento duro do primeiro escalão do governo contra as tarifas aplicadas pelos EUA. O presidente também pediu que a equipe não apresente “nada de novo” nos próximos meses, que antecedem a disputa eleitoral.
“Vocês não podem deixar de dizer isso: estão tentando trair o Brasil por interesses mesquinhos, com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, alguém que é capaz de vender o próprio país por interesses mesquinhos", disse Lula.
“Nós temos sete meses antes de terminar o mandato. Temos até dia três de julho para fazermos todas as entregas que temos que fazer, porque depois do dia três de julho não podemos mais fazer convênios com prefeituras, com governos dos estados ou inaugurar obras”, afirmou o presidente.
Menu