Política

PF e CGU fazem nova fase de operação contra fraudes no INSS

Mandados são cumpridos em quatro estados e no DF em investigação sobre descontos ilegais em aposentadorias e pensões

PF e CGU fazem nova fase de operação contra fraudes no INSS
As investigações apontam que fraudes realizadas entre 2019 e 2024 podem ter provocado prejuízos de até R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas Crédito: Pedro França - Agência Senado

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (27), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As investigações apontam que fraudes realizadas entre 2019 e 2024 podem ter provocado prejuízos de até R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas. Segundo os órgãos de controle, os valores eram descontados mensalmente dos benefícios sem autorização dos segurados.

Nesta etapa da operação, as autoridades apuram a atuação de três núcleos regionais suspeitos de participação no esquema. Ao todo, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e ordens de bloqueio de bens.

As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e são executadas no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba.

Em Brasília, as associações UNIBAP e ABENPREV estão entre os alvos da investigação. Já em São Paulo, nove mandados são cumpridos contra suspeitos ligados às associações Amar, Master Prev, AASP e ANDAPP.

Em Pernambuco, a operação mira servidores e ex-servidores do INSS suspeitos de envolvimento nas irregularidades.

Segundo informações divulgadas pela TV Globo e pelo g1, entre os investigados estão empresários, operadores financeiros, gestores de entidades associativas e ex-dirigentes do INSS. Parte deles já responde a medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com a PF, o grupo é investigado por crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de patrimônio e possíveis fraudes contra a administração pública.

As investigações tiveram início após a primeira fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril. Conforme as apurações, associações realizavam cobranças mensais diretamente nos benefícios previdenciários, simulando filiações que nunca foram autorizadas pelos aposentados e pensionistas.

O esquema consistia em cadastrar beneficiários do INSS como associados sem consentimento formal, permitindo descontos automáticos nos pagamentos mensais.

A operação já atingiu ex-dirigentes do INSS, empresários e representantes de sindicatos e associações suspeitos de participação nas fraudes. Políticos também foram alvo de mandados de busca e apreensão em fases anteriores da investigação, entre eles os deputados federais Euclydes Pettersen e Gorete Pereira, além do senador Weverton Rocha. Todos negam envolvimento em irregularidades.