Política

Nem Lula, nem Flávio: empresários falam em terceira via

Movimentação ganhou força em evento com empresários no Guarujá após desgaste do senador em meio à crise do caso Master e à queda nas pesquisas eleitorais

Nem Lula, nem Flávio: empresários falam em terceira via
Empresários discutiram alternativa diante da queda de Flávio Crédito: Ascom/Casa Civil

O avanço das investigações envolvendo o Caso Master e o desgaste político enfrentado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) começaram a produzir reflexos além do campo jurídico e já movimentam o ambiente político e empresarial de olho em 2026.

Nos bastidores do 5º Fórum Esfera, realizado nos dias 22 e 23 de maio, no Hotel Jequitimar, no Guarujá (SP), empresários, investidores e representantes do mercado financeiro passaram a discutir novamente a possibilidade de construção de uma “terceira via” para a próxima eleição presidencial.

Com uma plateia de mais de 400 empresários e convidados, o encontro promovido pela Esfera Brasil acabou se transformando em um espaço de avaliação do impacto político do escândalo envolvendo o Banco Master e da perda de força da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O tema ganhou ainda mais repercussão após pesquisas recentes apontarem oscilação negativa do senador em cenários eleitorais.

Mercado

Para o professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva, o movimento empresarial acontece justamente porque parte do mercado começou a enxergar risco de enfraquecimento precoce da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A busca por uma alternativa de centro ou direita moderada ganhou tração imediata no ambiente corporativo após o abalo ético e político sofrido pela principal pré-candidatura da oposição”, afirmou.

Segundo ele, o caso envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, acendeu um sinal de alerta no setor produtivo. “Esse episódio acendeu um alerta vermelho no empresariado e no mercado financeiro, que enxergam no enfraquecimento do parlamentar o risco de desidratação precoce da oposição ao atual governo”, disse.

Nos corredores do evento, o discurso mais ouvido era o de que a direita precisaria ampliar o debate sobre alternativas eleitorais caso Flávio continue perdendo competitividade.

Desgaste

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato do Novo, reforçou esse movimento dias depois, durante evento promovido pela Amcham Brasil, em São Paulo. Na ocasião, afirmou que o escândalo do Banco Master tornou o cenário mais difícil para a direita e avaliou que uma eventual manutenção da candidatura de Flávio Bolsonaro poderia favorecer Lula em 2026.

Ronaldo Caiado (PSD) evitou endurecer o discurso contra o senador e defendeu unidade da centro-direita contra o PT. O ex-governador de Goiás afirmou que não faria “pré-julgamento” e pregou apoio ao candidato que chegar ao segundo turno.

Enquanto isso, Renan Santos, um dos fundadores do MBL e pré-candidato pelo partido Missão, tenta ocupar parte desse espaço. Em discurso no Guarujá, ele afirmou que há um eleitorado conservador cansado da polarização tradicional e em busca de um “caminho novo”.

Polarização

Na avaliação de Renan Silva, os números recentes mostram que o desgaste político já começou a produzir efeitos eleitorais concretos.

“Os dados mais recentes mostram uma oscilação negativa da candidatura oposicionista, que recuou para 43%, abrindo uma distância de quatro pontos percentuais em relação ao atual presidente, que oscilou para 47%”, explicou o especialista.

Mesmo assim, ele pondera que romper a polarização ainda será um desafio complexo. “A fidelidade partidária ainda se mostra resiliente”, afirmou.

Para o professor de economia, embora empresários demonstrem interesse em alternativas, o maior problema segue sendo a falta de um nome nacionalmente consolidado fora dos polos já conhecidos. “O principal desafio para o preenchimento desse vácuo político não reside na falta de interesse do mercado, mas sim na pulverização de nomes com musculatura eleitoral competitiva”, concluiu.