Política

Flávio vai aos EUA apostando em reunião com Trump

Senador busca reduzir desgaste com agenda internacional

Flávio vai aos EUA apostando em reunião com Trump
Flávio Bolsonaro admitiu encontro com Vorcaro em novembro Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou em Washington, nos Estados Unidos (EUA), em meio ao momento mais delicado de sua pré-campanha presidencial. A expectativa nos bastidores é de que ele tenha um encontro com o presidente norte-americano Donald Trump nesta terça-feira (26). Mas, até a noite desta segunda-feira (25), a agenda oficial da Casa Branca ainda não registrava publicamente qualquer compromisso entre os dois.

A viagem ocorre poucos dias após o senador admitir que encontrou o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, depois da primeira prisão do empresário. Inicialmente, Flávio havia afirmado que o contato com Vorcaro tinha ocorrido apenas por telefone. Depois, confirmou que esteve pessoalmente com o banqueiro em São Paulo enquanto ele utilizava tornozeleira eletrônica.

A admissão da visita aumentou o desgaste político surgido após a divulgação de áudios em que Flávio Bolsonaro aparece negociando recursos para o filme Dark Horse, longa sobre Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, Vorcaro teria prometido cerca de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, para financiar a produção.

Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que a viagem aos EUA tenta reorganizar a imagem política do senador diante da crise provocada pelo caso Master.

Crise

A turbulência atingiu diretamente a estrutura da pré-campanha presidencial. Na última quarta-feira (20), o publicitário Marcello Lopes deixou oficialmente a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro.

Segundo nota divulgada pela equipe do senador, a saída ocorreu após uma reunião entre os dois e foi motivada por questões empresariais e familiares. Lopes retornará aos Estados Unidos, enquanto o estrategista Eduardo Fisher deve assumir a comunicação da campanha.

A mudança aconteceu justamente quando o nome de Flávio passou a ser pressionado pelas revelações envolvendo Daniel Vorcaro e os recursos destinados ao filme.

Na avaliação do deputado federal Rogério Correia (PT-MG), a ida do senador aos EUA seria uma tentativa de deslocar o foco do desgaste político. “Ele está querendo desviar também do assunto que é para ele indesejável, que é o Banco Master”, afirmou ao Correio da Manhã.

O parlamentar também citou as suspeitas envolvendo recursos que teriam circulado por um fundo nos Estados Unidos. “Vai ficar cada vez mais evidente que esse recurso era para sustentar a campanha ou dele ou de algum Bolsonaro”, declarou.

Disputa

Dentro do PT, a avaliação predominante é de que um eventual encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump não altera o cenário político brasileiro nem provoca preocupação real na base do governo.

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou que ainda existe dúvida sobre a confirmação da reunião. “Nós não sabemos se efetivamente o senador Flávio Bolsonaro vai encontrar o presidente dos Estados Unidos”, disse.
Segundo Zarattini, o movimento teria caráter mais eleitoral do que diplomático. “Parece mais uma tentativa de agitar e criar fatos para uma campanha que vai fracassando a cada dia na medida em que as denúncias sobre o envolvimento do bolsonarismo com o caso Master são evidentes”, afirmou.

Já dentro do PL, a leitura é oposta. Integrantes da bancada avaliam que a aproximação com Trump fortalece a imagem internacional do pré-candidato. O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou ao Correio da Manhã que o encontro teria peso político internacional para o senador.
“Mostra que o presidente da maior potência do mundo recebe o Flávio da mesma forma que recebeu Lula”, declarou. Na avaliação de Jordy, o gesto colocaria Flávio Bolsonaro em posição de projeção internacional mesmo antes do início oficial da disputa presidencial. “Ele não é presidente ainda e está sendo recebido por ele”, afirmou.