Política

Mario Frias no foco por denúncia de rachadinha

Ministro do STF aguarda explicações formais do deputado enquanto partidos ligados ao governo articulam representação no Conselho de Ética

Mario Frias no foco por denúncia de rachadinha
Flávio Dino procura explicações de Mário Frias Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O deputado federal Mario Frias (PL-RJ) voltou ao centro da crise política que envolve o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), justamente no momento em que novas denúncias passaram a atingir diretamente seu gabinete parlamentar.

Enquanto o ministro do STF Flávio Dino aguarda explicações formais do deputado sobre viagens internacionais e suspeitas envolvendo emendas parlamentares, partidos ligados ao governo já discutem nos bastidores uma representação no Conselho de Ética da Câmara após denúncias de suposta rachadinha.

A nova frente de desgaste surgiu após reportagem do G1 revelar comprovantes de Pix, extratos bancários e relatos de uma ex-funcionária do gabinete de Frias indicando devolução de parte dos salários ao então chefe de gabinete Raphael Azevedo, além de pagamentos ligados à família do parlamentar.

Segundo os documentos, Gardênia Morais, ex-secretária parlamentar do gabinete entre fevereiro de 2023 e maio de 2024, recebia salários líquidos que variavam entre R$ 10 mil e R$ 21 mil. Parte dos valores era transferida para outra conta bancária e, depois, repassada a Raphael Azevedo, familiares dele e pessoas ligadas ao gabinete.

Os comprovantes citados pela reportagem mostram transferências que incluem Pix de R$ 4,6 mil em fevereiro de 2023, R$ 5 mil em março, R$ 1,5 mil em abril e R$ 4 mil em março de 2024 para o então chefe de gabinete. Também aparecem repasses para familiares de Azevedo, totalizando ao menos R$ 35.116.

Empréstimos

A ex-funcionária também afirmou ter feito cinco empréstimos consignados em seu nome, somando R$ 174.886. Segundo o relato, parte do dinheiro teria sido usada para quitar despesas ligadas à campanha eleitoral de 2022.

Outro ponto que chamou atenção nos bastidores políticos foi um saque de R$ 49.999,99 realizado em março de 2024. De acordo com os documentos obtidos pelo G1, Gardênia recebeu depósitos de R$ 50 mil feitos por Raphael Azevedo e pela esposa dele, transferiu o dinheiro entre contas próprias e, no dia seguinte, retirou o valor em espécie. O destino do dinheiro não foi informado.

A reportagem também aponta pagamentos relacionados à família do deputado. Um deles, de R$ 1 mil, foi enviado para Maria Lucia Frias, mãe do parlamentar, em janeiro de 2024. Outro comprovante mostra o pagamento de uma fatura de cartão de crédito da esposa do deputado, Juliana Frias, no valor de R$ 4.832,32.

Pressão

As novas denúncias surgem justamente quando Mario Frias já enfrentava questionamentos do STF sobre a destinação de emendas parlamentares relacionadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora do filme Dark Horse, no qual o deputado atua como produtor-executivo.

Na quinta-feira (21), Flávio Dino deu prazo de 48 horas para que a Câmara dos Deputados esclareça detalhes sobre a viagem internacional de Frias ao Bahrein e aos Estados Unidos. O STF tenta intimar o deputado desde março.

Em publicação nas redes sociais, Frias afirmou que retornará ao Brasil no dia 25 de maio e sugeriu um encontro presencial com o ministro. “Me colocando à disposição de Vossa Excelência, para inclusive um encontro ao vivo”, escreveu. No entanto, Dino avalia que um encontro pessoal representaria quebra de isonomia em relação aos demais parlamentares investigados no mesmo processo. A interpretação dentro do gabinete de Dino é que a própria postagem nas redes sociais já demonstraria que o deputado tomou ciência formal da intimação.

Filme

O caso ganhou dimensão ainda maior após o nome de Mario Frias aparecer nas mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil sobre o financiamento do filme Dark Horse pelo banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito do escândalo do Banco Master.

Segundo as investigações, o senador Flávio Bolsonaro teria negociado US$ 24 milhões para financiar o longa. Parte dos valores, cerca de R$ 61 milhões, teria sido efetivamente destinada à produção.

Mensagens divulgadas mostram Mario Frias agradecendo a Vorcaro pelo apoio financeiro ao projeto. O Correio da Manhã procurou Mario Frias, a assessoria do deputado e a ex-funcionária citada na reportagem, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.