Política

STF vira última esperança de Vorcaro após derrota na PF

Troca de advogado, impasse nas negociações e nova ofensiva por CPMI ampliam tensão no caso Master

STF vira última esperança de Vorcaro após derrota na PF
Ex-banqueiro pouparia ministros do STF Crédito: Rubens Cavallari/Folhapress

A troca de advogado do banqueiro Daniel Vorcaro, decidida após o fracasso das tratativas com a Polícia Federal (PF), foi interpretada por investigadores e integrantes do meio jurídico como mais um sinal de desgaste nas tentativas de reduzir os danos do escândalo.

Na sexta-feira (22), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou que Vorcaro retornasse à ala especial da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A decisão ocorreu após a defesa alegar que a cela comum utilizada temporariamente não possuía ventilação adequada, chuveiro, circulação de ar e estrutura mínima para permanência prolongada.

O despacho também levou em consideração manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que reconheceu riscos relacionados à exposição pública do banqueiro e considerou adequada a recondução ao antigo alojamento.

Pressão

Interlocutores de Vorcaro afirmam que o banqueiro entrou em “pânico” diante da possibilidade de voltar ao sistema penitenciário comum. Ele já havia passado pela Papuda e, segundo relatos de agentes penitenciários, enfrentou episódios de ansiedade extrema. O clima de desgaste culminou na saída do advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca, que deixou oficialmente a defesa “em comum acordo”.

A defesa agora ficará sob responsabilidade do advogado Sérgio Leonardo, amigo pessoal de Vorcaro. Nos bastidores, a mudança foi interpretada como uma tentativa de reconstruir a estratégia jurídica depois que a proposta inicial de colaboração premiada foi rejeitada pela Polícia Federal.

Investigadores avaliaram que Vorcaro não entregou elementos considerados centrais para o avanço das apurações, especialmente detalhes sobre relações com autoridades dos Três Poderes e mecanismos financeiros do suposto esquema. A proposta anterior previa ressarcimento de R$ 40 bilhões em dez anos, mas foi considerada insuficiente.

Agora, segundo fontes ligadas às negociações, Vorcaro sinalizou à PGR a possibilidade de devolver R$ 60 bilhões aos cofres públicos numa tentativa de manter viva a negociação do acordo. Ainda assim, integrantes da investigação avaliam que a situação ficou mais difícil após o desgaste com a Polícia Federal.

BRB

Enquanto Vorcaro tenta evitar o colapso definitivo das negociações, outro personagem do caso começou a movimentar os bastidores: o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.

Preso pela Polícia Federal em 16 de abril, ele passou a discutir internamente a possibilidade de colaboração premiada. Investigadores suspeitam que Paulo Henrique tenha atuado diretamente para facilitar operações que teriam provocado prejuízos bilionários ao BRB em associação com Daniel Vorcaro.

As suspeitas envolvem vantagens indevidas que poderiam chegar a quase R$ 150 milhões em imóveis de luxo. Em troca, segundo a linha de investigação, operações ligadas ao Banco Master teriam sido mascaradas dentro da estrutura do banco público.

Até o momento, contudo, investigadores avaliam que as informações apresentadas por Paulo Henrique ainda não possuem robustez suficiente para um acordo formal. Parte dos relatos, segundo fontes ligadas ao caso, já teria sido superada pelas quebras de sigilo financeiro e telemático realizadas na investigação.

Em paralelo, o ministro Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu temporariamente a análise das prisões de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e de Felipe Cançado, primo do empresário. André Mendonça havia votado pela manutenção das prisões.

Henrique Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como “demandante e beneficiário” da chamada “Turma”, estrutura descrita pelos investigadores como uma espécie de milícia privada usada para monitorar e intimidar desafetos. Já Felipe Cançado é suspeito de operacionalizar pagamentos relacionados ao esquema.

Ofensiva

Ao mesmo tempo em que as delações enfrentam dificuldades, a oposição decidiu voltar ao STF para tentar forçar a instalação da CPMI do Banco Master.

Parlamentares protocolaram um mandado de segurança distribuído por dependência ao ministro André Mendonça, relator da ação, alegando que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), estaria impedindo a leitura do requerimento da comissão.

No documento, deputados e senadores argumentam que a CPMI atende aos requisitos constitucionais e acusam Alcolumbre de omissão. O texto cita suspeitas envolvendo fraudes superiores a R$ 12,2 bilhões, manipulação contábil, possíveis interferências políticas e tentativas de transferência de passivos ao BRB.

O documento também sustenta que a investigação parlamentar deve caminhar em conexão com o inquérito já relatado por André Mendonça no Supremo.