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UFSC encontra sangue em centro de tortura da ditadura

Pesquisadora de Blumenau identificou os vestígios no DOI-Codi, em São Paulo

UFSC encontra sangue em centro de tortura da ditadura
Durante a década de 1970, 52 mortes foram documentadas no local Crédito: Divulgação/UFSC

A pesquisadora Maryah Elisa Haertel, do laboratório de Física do campus Blumenau (SC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), participou da identificação de resíduos biológicos compatíveis com sangue humano no prédio que abrigou o Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo.

O estudo foi coordenado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e contou com a participação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade de São Paulo (USP) e da UFSC.

Durante a década de 1970, o complexo da Rua Tutóia, na Vila Mariana, foi utilizado como centro de repressão do regime militar. Mais de 7 mil pessoas foram detidas no endereço e, pelo menos, 52 mortes foram documentadas.

O imóvel de três andares foi utilizado para interrogatórios, torturas, assassinatos e desaparecimentos.

A investigação reuniu arqueologia forense, levantamento histórico e análise das mudanças realizadas na estrutura ao longo dos anos.

A coleta ocorreu em agosto de 2023, enquanto os exames foram realizados entre 2024 e 2025, nos laboratórios da UFSC Blumenau.

As amostras que tiveram resultado positivo passaram por procedimentos complementares, incluindo espectroscopia de fluorescência e métodos químicos, como os testes de Kastle-Meyer e dos cristais de Takayama.

A identificação de substâncias preservadas durante décadas foi um dos desafios do trabalho. O edifício permaneceu em funcionamento nos anos 1990 e foi tombado como patrimônio histórico apenas em 2014. Antes da retirada dos vestígios, a equipe realizou uma análise documental e escavações em diferentes camadas do piso.

Em novembro de 2025, uma nova etapa foi realizada na antiga enfermaria do DOI-Codi. O grupo utilizou luzes forenses, luminol e métodos imunocromatográficos para ampliar a coleta de informações. O material retornou aos laboratórios da UFSC Blumenau, onde está sendo analisado pelos pesquisadores.

Além da arqueologia forense, o projeto desenvolveu atividades relacionadas à pesquisa documental, ao registro de testemunhos, à arqueologia da arquitetura e às ações de arqueologia pública.