Gastos de campanha

Redes sociais dominam gastos de campanha dos mais votados de SP

Pavanato e Campopiano concentraram mais de 50% das despesas no digital, enquanto outros priorizaram material gráfico

Redes sociais dominam gastos de campanha dos mais votados de SP
Lucas Pavanato, Erika Hilton, Eduarda Campopiano, Sâmia Bomfim, Kim Kataguiri e Eduardo Suplicy Crédito: CM

Os seis candidatos a deputado mais votados de São Paulo nas eleições de 2026 adotaram estratégias diferentes para distribuir os recursos de suas campanhas. Entre os nomes analisados, os candidatos do PL concentraram uma parcela maior das despesas em redes sociais e impulsionamento, enquanto integrantes do PSOL e do PT destinaram valores mais elevados à produção de material gráfico.

O levantamento considera os seis candidatos eleitos que ultrapassaram a marca de 500 mil votos no estado: Lucas Pavanato (PL), Erika Hilton (PSOL), Eduarda Campopiano (PL), Eduardo Suplicy (PT), Sâmia Bomfim (PSOL) e Kim Kataguiri (Missão).

Os dados têm como base as prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza informações sobre arrecadação e despesas de campanha no sistema DivulgaCandContas.

Entre os seis parlamentares, Pavanato foi o mais votado para a Câmara dos Deputados em São Paulo, com 3.038.438 votos. Eduarda Campopiano liderou a disputa pela Assembleia Legislativa, com 1.956.238 votos. Erika Hilton recebeu 1.596.472 votos, enquanto Suplicy, Sâmia e Kim tiveram 654.627, 583.107 e 520.071 votos, respectivamente.

Pavanato e Campopiano apostaram no digital

O caso mais expressivo é o de Lucas Pavanato, de 28 anos. O deputado federal eleito declarou R$ 2,7 milhões em despesas de campanha, dos quais aproximadamente R$ 1,35 milhão foram destinados a redes sociais e impulsionamento de conteúdo.

O valor representa cerca de 50% de todos os gastos declarados pelo candidato. Já as despesas com material gráfico ficaram em aproximadamente R$ 352,5 mil, ou 13% do total.

Com 3 milhões de votos, Pavanato estabeleceu a maior votação já registrada para um candidato a deputado federal em São Paulo. O resultado também o colocou entre os candidatos a deputado federal mais votados do país.

A estratégia também aparece na campanha de Eduarda Campopiano, de 23 anos, eleita deputada estadual com 1.956.238 votos. Do total de R$ 654 mil declarado em despesas, cerca de R$ 400 mil, ou 61,1%, foram destinados a ações de impulsionamento e redes sociais.

As duas campanhas tiveram forte presença digital. Pavanato e Campopiano também fizeram dobradinha eleitoral durante a disputa em São Paulo. Campopiano foi a candidata mais votada para a Alesp em 2026.

Kim Kataguiri teve distribuição mais equilibrada

Entre os candidatos analisados, Kim Kataguiri (Missão) apresentou uma distribuição mais próxima entre as duas modalidades de gasto.

Reeleito deputado federal com 520.071 votos, Kim declarou despesas de aproximadamente R$ 469 mil. Desse total, R$ 118,4 mil foram destinados ao impulsionamento de conteúdo digital, equivalente a 25,2% das despesas.

Outros R$ 116 mil foram utilizados em material gráfico e serviços de postagem, representando 24,7% do total.

Esquerda gastou mais com material gráfico

Entre os três candidatos de partidos de esquerda incluídos no levantamento, o maior volume de despesas com material gráfico aparece nas campanhas de Erika Hilton e Sâmia Bomfim.

Erika, de 33 anos, foi reeleita deputada federal com 1.596.472 votos. A campanha declarou despesas de aproximadamente R$ 1,63 milhão.

Desse montante, cerca de R$ 188 mil foram destinados a impulsionamento, comunicação digital e produção de conteúdo, o equivalente a 11,5% do total. Já os gastos com material gráfico chegaram a aproximadamente R$ 453 mil, ou 27,8%.

A parlamentar também manteve forte presença nas redes sociais, com milhões de seguidores no Instagram, mas a maior despesa individual entre as duas categorias analisadas foi a produção gráfica.

Sâmia Bomfim (PSOL), por sua vez, declarou gastos de R$ 1,98 milhão para a campanha em que conquistou a reeleição com 583.107 votos.

A deputada destinou aproximadamente R$ 400 mil à comunicação digital e ao impulsionamento. A produção de materiais impressos consumiu cerca de R$ 775 mil, correspondente a 39,2% das despesas.

Suplicy teve campanha de menor custo

O contraste mais significativo aparece na campanha de Eduardo Suplicy (PT). Reeleito deputado estadual aos 85 anos, com 654.627 votos, o petista declarou despesas de aproximadamente R$ 97,9 mil.

Cerca de R$ 30 mil foram destinados a ações digitais, enquanto apenas R$ 2 mil foram registrados como gastos com material gráfico.

O valor total da campanha ficou muito abaixo das despesas declaradas pelos outros cinco candidatos incluídos no levantamento.

Veja os gastos dos seis mais votados

Deputados federais

Lucas Pavanato (PL)
Votos: 3.038.438
Despesas: R$ 2.702.190,92
Redes sociais: R$ 1,352 milhão (50%)
Material gráfico: R$ 352,5 mil (13%)

Erika Hilton (PSOL)
Votos: 1.596.472
Despesas: R$ 1.629.652,72
Redes sociais: R$ 188 mil (11,5%)
Material gráfico: R$ 453 mil (27,8%)

Sâmia Bomfim (PSOL)
Votos: 583.107
Despesas: R$ 1.975.876,85
Redes sociais: R$ 400 mil (20,2%)
Material gráfico: R$ 775 mil (39,2%)

Kim Kataguiri (Missão)
Votos: 520.071
Despesas: R$ 469.244,42
Redes sociais: R$ 118.438,50 (25,2%)
Material gráfico e postagem: cerca de R$ 116 mil (24,7%)

Deputados estaduais

Eduarda Campopiano (PL)
Votos: 1.956.238
Despesas: R$ 654.315,52
Redes sociais: R$ 400 mil (61,1%)
Material gráfico: R$ 75 mil (11,5%)

Eduardo Suplicy (PT)
Votos: 654.627
Despesas: R$ 97.889,25
Redes sociais: R$ 30 mil (30,6%)
Material gráfico: R$ 2 mil (2%)

Os números mostram que, entre os seis candidatos analisados, Pavanato e Campopiano foram os que comprometeram as maiores parcelas de suas despesas com comunicação digital, enquanto Erika Hilton e Sâmia Bomfim destinaram parcelas maiores à produção gráfica. Kim apresentou uma distribuição mais equilibrada, e Suplicy teve a campanha de menor custo do grupo.